
O UFC BJJ pode estar prestes a mudar completamente a forma como o Jiu-Jitsu é praticado no mais alto nível. O torneio começa a deixar claro: nem todo campeão é bem-vindo, pelo menos não do jeito que luta.
A executiva Claudia Gadelha revelou novos detalhes sobre os bastidores da organização e como o evento está moldando sua identidade, em conversa com Paula Sack. E o recado é direto: estilos passivos, especialmente o “butt scooting”, não fazem parte do futuro da promoção.
“Você não pode ficar se arrastando de bunda dentro da arena. Não queremos ver isso. Queremos ação, muita ação.”
A fala não é apenas uma crítica estética. É uma mudança estrutural na forma como o UFC BJJ pretende apresentar o grappling para o mundo.
Um choque de culturas: Jiu-Jitsu vs audiência do UFC
Um dos maiores desafios do UFC BJJ é traduzir o Jiu-Jitsu para uma audiência muito maior e diferente. Enquanto no grappling tradicional, a puxada para guarda é parte essencial do jogo, para o público do MMA isso pode parecer estranho ou até um erro estratégico.
“Esse é um esporte diferente, completamente diferente. Uma oportunidade de brilhar diante de quase um bilhão de pessoas.”
Segundo Gadelha, esse alcance global muda tudo. Não se trata apenas de competir, mas de entreter em escala mundial.
Nem todo campeão serve
Um dos pontos mais fortes da entrevista foi a admissão de que nem todos os grandes nomes do Jiu-Jitsu se encaixam no modelo do UFC BJJ.
“Já entendemos que alguns atletas campeões mundiais não vão funcionar aqui. Não por falta de nível, mas porque não conseguem performar da maneira que queremos. Queremos quedas, queremos passagens de guarda, queremos pegar as costas. Não queremos ver atletas competindo por vantagem”, explica Claudia.

