
Khabib Nurmagomedov nunca foi conhecido apenas pelo que fez dentro do octógono. Fora dele, o ex-campeão peso-leve do UFC construiu uma imagem fortemente ligada à disciplina, rotina rígida e mentalidade de longo prazo. E foi justamente esse tema que voltou à tona durante uma conversa com o piloto profissional e competidor de esports Cem Bölükbaşı.
Ao falar sobre o tempo necessário para chegar ao topo nos videogames, Khabib não focou apenas na dificuldade da jornada, mas no custo dela. Para ele, a questão central é o período da vida que está sendo investido.
“Quantos milhões de pessoas passam 10 anos da melhor fase da vida? Dos 17 aos 27 anos. Eles passam a vida em jogos de computador.”, diz o ex-campeão do UFC.
A crítica não foi direcionada especificamente a profissionais de alto nível, mas ao volume de jovens que dedicam uma década inteira tentando alcançar um espaço extremamente restrito no cenário competitivo. Bölükbaşı rebateu dizendo que a lógica é a mesma no esporte tradicional: pouquíssimos chegam ao topo, seja no futebol, no MMA ou nos esports. A probabilidade estatística de sucesso é igualmente pequena.
Mas Khabib enxerga uma diferença fundamental. De acordo com ele, mesmo que o atleta não vire campeão mundial, o esporte físico entrega ganhos concretos no caminho saúde, disciplina e convivência social.
“No esporte, você tem saúde. Quando você fica sentado, comendo [nos esports]… Quando você vai para a academia, mesmo que você não vire campeão do UFC, pelo menos você conhece pessoas.”, pondera o russo.
O ambiente da academia é uma escola de vida. Você pode não conquistar um cinturão, mas constrói corpo, rotina e rede de contatos. Khabib também demonstrou preocupação com o impacto mental de passar anos em frente a uma tela. Para ele, não é apenas uma questão física, é comportamental.
“Quando você está sentado jogando videogame, sua mente muda. Na academia, você encontra pessoas. É social, você conversa.”
Ao juntar os dois pontos, fica claro o contraste que ele tenta estabelecer: de um lado, o isolamento e a imersão individual; do outro, o ambiente coletivo, a troca, o contato humano.
Na visão do ex-campeão, o tatame e a academia funcionam como espaços de formação. Mesmo que o atleta nunca chegue ao topo, ele aprende sobre hierarquia, respeito, convivência e disciplina, valores que, segundo Khabib, transcendem o resultado competitivo.

