
Uma mudança significativa pode estar prestes a impactar o cenário do grappling profissional. Segundo Claudia Gadelha, executiva do UFC BJJ, atletas que assinarem contratos exclusivos com a organização não poderão mais competir no ADCC a partir de 2027.
A declaração foi feita durante uma entrevista recente e pode marcar o início de uma nova era no Jiu-Jitsu profissional com as principais estrelas divididas entre grandes promoções
Exceções em 2026, mas não em 2027
Gadelha explicou que, neste momento, alguns atletas exclusivos do UFC BJJ ainda receberam autorização especial para competir no ADCC. Porém, essa política não continuará no próximo ano.
“Há alguns dos nossos atletas exclusivos que liberamos para competir no ADCC este ano, mas a partir do ano que vem, eles só poderão ser atletas do UFC BJJ.”, diz Gadelha, em conversa com Combate.
Ou seja: a partir de 2027, quem estiver sob contrato exclusivo com o UFC BJJ terá que escolher ou permanece na organização, ou disputa o ADCC.
O impacto direto no grappling mundial
A decisão tem peso enorme porque o ADCC é historicamente visto como o torneio mais prestigiado do grappling sem kimono.
Se atletas do UFC BJJ ficarem impedidos de competir lá, o esporte pode viver algo inédito: a divisão da elite entre diferentes organizações.
Até hoje, mesmo com rivalidades e promoções distintas, os principais nomes do grappling ainda se enfrentavam no ADCC. Essa possível separação muda completamente essa dinâmica.
UFC BJJ quer competir com o ADCC?
Apesar da decisão, Gadelha deixou claro que o UFC não enxerga a situação como uma disputa direta contra outras entidades como ADCC ou IBJJF.
“Nós não queremos competir com ninguém. Acreditamos no que o ADCC está fazendo, no que a IBJJF está fazendo. São produtos diferentes do que temos e do que estamos construindo aqui.”
Segundo ela, o foco não é rivalidade, mas estrutura profissional.
A proposta do UFC BJJ: carreira estruturada
O principal argumento da executiva gira em torno da construção de carreira para os atletas.
Com mais eventos no calendário e oportunidades recorrentes, o UFC BJJ acredita oferecer algo que historicamente faltou no Jiu-Jitsu profissional: consistência.
“Também acreditamos que, para um atleta construir uma carreira profissional no Jiu-Jitsu, este é o lugar onde ele ou ela precisa estar, porque temos consistência. No ano passado fizemos seis eventos, este ano teremos dez.”
O aumento no número de eventos reforça essa estratégia de criar um circuito regular, com previsibilidade e frequência , algo mais próximo do modelo adotado pelo próprio UFC no MMA.
O que isso significa para o futuro?
Se a regra entrar em vigor como anunciado:
- Atletas terão que escolher entre UFC BJJ ou ADCC
- O ADCC pode perder parte de seus principais nomes
- O UFC BJJ consolida um modelo fechado, semelhante ao MMA
O grappling pode estar caminhando para um modelo mais “promocional”, com contratos exclusivos e divisões claras entre organizações — algo que nunca aconteceu em larga escala na modalidade.
A grande pergunta agora é: os atletas vão priorizar o prestígio histórico do ADCC ou a estrutura e consistência oferecidas pelo UFC BJJ?
O cenário do Jiu-Jitsu profissional pode estar prestes a mudar para sempre.

