
O evento, realizado no Apex em Las Vegas, consolidou o momento de expansão do grappling sob a marca do UFC e foi marcado por defesas de cinturão importantes, mas a grande narrativa da noite foi o retorno de Nicholas Meregali, o anti-herói, após 17 meses afastado por lesão.
Meregali voltou cercado de expectativa. Durante o período fora, o cenário do no-gi evoluiu, novos nomes ganharam espaço e dúvidas começaram a surgir sobre como ele retornaria fisicamente e mentalmente. Sempre uma figura polarizadora no jiu-jitsu, admirado por muitos, criticado por outros pela postura direta e pela confiança elevada, ele entrou no evento carregando essa aura de “anti-herói” que o acompanha desde os tempos de kimono. Não é o atleta que busca agradar. É o que compete para vencer.
Anti-herói Nicholas Meregali e Musumeci vão brigar pelos holofotes no UFC BJJ
No UFC BJJ 5, sua vitória por decisão unânime mostrou um competidor mais estratégico e controlado. Não foi uma atuação baseada em risco constante ou em busca desesperada pela finalização. Foi uma performance madura, construída no domínio posicional e na gestão inteligente do ritmo. Para alguém que passou quase um ano e meio longe do tatame competitivo, o recado foi claro: Meregali continua sendo um perigo altíssimo na divisão. Seu retorno adiciona tensão imediata ao cenário e cria novas possibilidades de confronto entre os principais nomes do evento.
Enquanto Meregali retomava seu espaço, as disputas de cinturão mantiveram o padrão técnico elevado da organização. No peso-galo, Mikey Musumeci defendeu o título diante de Shay Montague com a precisão que já virou sua marca registrada. Após um início estudado, o campeão encontrou a brecha e finalizou com um foot lock no segundo round, reforçando sua posição como um dos nomes mais dominantes do grappling atual. Musumeci segue consolidando um reinado baseado em controle técnico e eficiência cirúrgica nas finalizações.
No meio-médio, Ronaldo Junior também colocou o cinturão em jogo contra Tarik Hopstock em uma luta mais estratégica e equilibrada. Diferente da defesa explosiva vista na categoria abaixo, o confronto foi marcado por ajustes táticos e disputa por posições-chave. Ao final, a decisão dos juízes manteve o título com o brasileiro, que demonstrou capacidade de adaptação e maturidade competitiva em uma luta de alto nível.
Outro momento que entrou para a história do evento foi a finalização relâmpago de Jalen Fonacier, que garantiu um heel hook em apenas 19 segundos, a mais rápida já registrada na organização. A performance adicionou um elemento de imprevisibilidade ao card e reforçou o impacto que ataques às pernas vêm tendo no formato atual do UFC BJJ.

