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Kyra Gracie comenta aumento de denúncias de assédio no Jiu-Jitsu e relembra episódio pessoal

campeã mundial de Jiu-Jitsu publicou vídeo relatando episódio pessoal e afirmou ter presenciado outros casos ao longo da carreira.

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Kyra Gracie teve grande representatividade na propagação da imagem da mulher como atleta de Jiu-Jitsu. Foto: Divulgação
Kyra Gracie tem grande representatividade na propagação da imagem da mulher como atleta de Jiu-Jitsu. Foto: Divulgação

A multicampeã mundial de Jiu-Jitsu Kyra Gracie se pronunciou publicamente sobre o aumento de denúncias envolvendo assédio no meio do Jiu-Jitsu, ao publicar um vídeo em seu canal oficial no YouTube na última terça-feira (4). No depoimento, a ex-atleta relembrou situações que afirma ter presenciado e vivido durante os anos em que esteve inserida no cenário competitivo.

O posicionamento ocorre em um momento de grande repercussão no esporte, especialmente após a denúncia divulgada recentemente pela atleta americana Alexa Herse, que acusa André Galvão, líder da equipe Atos, de conduta inadequada. O caso ganhou grande visibilidade e reacendeu discussões sobre segurança, ambiente de treinamento e a necessidade de mudanças estruturais dentro de academias e competições.

“Eu resolvi que não posso mais ficar calada”, afirma Kyra

No vídeo, Kyra afirmou que por muito tempo permaneceu em silêncio sobre relatos e situações que teria presenciado no ambiente esportivo.

“Eu resolvi que não posso mais ficar calada. E isso foi libertador para mim”, declarou.

Em seguida, a ex-atleta relembrou uma frase que diz ter ouvido ainda jovem, atribuída a um homem mais velho:

“Imagina você peladinha dentro do meu kimono keiko. Um senhor de idade falando isso para uma menina”.

Segundo Kyra, a fala teria sido direcionada a ela quando tinha entre 18 e 19 anos, em um contexto no qual o homem se apresentava como alguém interessado em oferecer patrocínio.

“E essa menina era eu, com 18 ou 19 anos. Ele veio dizendo que queria me patrocinar, e eu congelei. Quando ele estava nos eventos, eu me escondia. Ele errou, e eu me calei. Guardei isso até agora, porque o ambiente silencia as mulheres”, afirmou.

Ex-atleta diz ter testemunhado “centenas de casos” nos bastidores

Ainda no depoimento, Kyra ressaltou que, apesar de ser integrante da tradicional família Gracie, sua trajetória no esporte não teria sido imune a situações de assédio e constrangimento.

“O que acontece nos bastidores do Jiu-Jitsu não é uma exceção. É um problema do sistema todo. Faz parte da cultura do Jiu-Jitsu. Testemunhei centenas de casos, e por muito tempo tive medo de falar”, declarou.

Ela também afirmou que entende que poderá ser alvo de críticas por abordar o tema somente agora, mas reforçou que, segundo sua visão, o silêncio contribui para a manutenção do problema.

“Sei que vou ser criticada por só falar agora, mas o silêncio só protege os agressores. E a cada dia vão surgindo mais denúncias de assédio contra professores e nomes renomados do meio da luta”, disse.

Debate reacende discussões sobre segurança no esporte

Kyra também comentou que denúncias recentes não seriam surpreendentes para quem conviveu dentro do meio competitivo, argumentando que situações semelhantes, segundo ela, muitas vezes foram tratadas com naturalidade.

“Claro que todos os casos devem ser apurados pela Justiça, mas eu quero falar que esse tipo de denúncia não me pega de surpresa. Quem viveu esse meio sabe que situações assim são tratadas com normalidade”, completou.

O vídeo repercutiu nas redes sociais e entre praticantes da modalidade, ampliando novamente o debate sobre responsabilidade de academias, protocolos de segurança, canais de denúncia e medidas preventivas em ambientes esportivos.

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Escrito por Vitor Freitas

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