
Depois de 17 meses longe das competições, Nicholas Meregali está pronto para voltar aos tatames. Agora contratado com exclusividade pelo UFC BJJ, o faixa-preta falou sobre o futuro do grappling como indústria e deixou claro que acredita que o esporte precisa evoluir urgentemente em estrutura, profissionalização e modelo de negócio.
Durante a conversa com o ConnectCast, Meregali comentou que não vê o UFC entrando no grappling para diminuir o mercado ou gerar instabilidade. Pelo contrário, ele acredita que a organização chega com um plano sólido para expandir o esporte e dar uma direção mais profissional aos atletas. Nesse ponto, ele fez críticas diretas ao Craig Jones Invitational (CJI), apontando que o evento teria entrado no cenário de forma negativa, com impacto divisório.
“Eu não acho que eles estejam entrando no mundo do grappling para perder dinheiro, para diminuir a indústria ou para destruir a indústria, como foi o exemplo do CJI. O CJI entrou para dividir a indústria de uma forma negativa”, afirmou.
Na visão de Meregali, o UFC BJJ representa o oposto desse movimento. Ele acredita que o projeto tem estrutura para realmente agregar e criar um modelo mais organizado para quem quer viver do esporte. “Eu acho que eles estão entrando para somar, estão entrando para profissionalizar. Eles têm estrutura para me colocar onde eu quero estar, no sentido de carreira, marca e finanças”, disse.
O brasileiro também revelou que o plano é competir quatro vezes ainda este ano, mostrando que o UFC BJJ pretende trabalhar com um calendário mais consistente, algo que sempre foi uma dificuldade dentro do grappling profissional.
Outro ponto que pesou na decisão de assinar com a organização foi o modelo de crescimento baseado em desempenho, algo comum no MMA, mas ainda raro no Jiu-Jitsu. Segundo Meregali, a lógica é simples: o atleta performa, ganha bônus, cresce financeiramente e recebe mais exposição, enquanto o evento também se fortalece. “Você performa. Bônus da noite. Seu pagamento aumenta. A gente te coloca mais na mídia. Nosso negócio cresce”, explicou.
Para ele, essa estrutura é importante porque cria uma espécie de “escada” de evolução para os atletas, permitindo que o esporte tenha mais previsibilidade e planejamento. “Quando você vê uma escada de pessoas sendo treinadas, cara, eu acho que isso vai ajudar muito o grappling”, afirmou.
Meregali também destacou que o grappling precisa seguir exemplos já consolidados de esportes de combate como o MMA e o boxe, onde existe uma mentalidade clara de projeção financeira e crescimento de marca. “Se os caras querem crescer, construir uma marca de longo prazo, pagar o atleta com uma projeção. Tipo: queremos te pagar esse valor. Você precisa vencer esse número de lutas. Precisa vender esse número de pay-per-views”, disse.
Ele reforçou que trazer esse lado mais empresarial para o Jiu-Jitsu não deveria ser visto como algo negativo, mas como um passo natural. “Acho que é natural a gente ter isso, trazer esse lado do negócio para o Jiu-Jitsu.”
Ao falar sobre o cenário atual do esporte, Meregali foi direto e não tentou romantizar a realidade. Para ele, o problema do grappling hoje é simples: ainda falta dinheiro e estrutura. “É um esporte novo, cara. Não tem dinheiro. Não tem estrutura…”, afirmou.
Segundo ele, se nada mudar, o futuro continuará sendo o mesmo de sempre: atletas competindo esporadicamente, pagando para competir ou pulando de evento em evento por premiações pequenas, sem um plano real de carreira. “Senão, vamos continuar competindo de kimono aqui e ali. Pagando para competir. Ou assinando para competir com uma organização ou outra aqui e ali. Ganhando alguns milhares de dólares. Não faz sentido”, concluiu.

