O primeiro Mundial de Jiu-Jitsu, em 1996: a zebra de Roleta sobre Wallid e a disputa pela capa
Marcelo Alonso, que cobriu o torneio no Tijuca Tênis Clube, conta à VF Comunica como um faixa-preta recém-graduado derrubou o favorito e por que a melhor foto não foi parar na capa

O primeiro Mundial de Jiu-Jitsu foi disputado nos dias 3 e 4 de fevereiro de 1996, no Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro, e a luta que mais marcou quem estava no ginásio opôs um favorito a um faixa-preta recém-graduado. Wallid Ismail era o nome a ser batido. Roberto “Roleta” Magalhães tinha acabado de receber a faixa. Deu Roleta.
Quem conta é o jornalista e fotógrafo Marcelo Alonso, que cobriu o torneio como editor da Tatame e reviveu aquela edição em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica. Para ele, o resultado só faz sentido para quem entende o tamanho de Wallid naquele momento. “Muita gente fala: ‘Ah, o Wallid não era técnico’. Cara, o Wallid ali, na geração anterior, 92, 93, estava ganhando de todo mundo”, disse.
Favorito de um lado, zebra do outro
Aluno de Carlson Gracie, Wallid vinha de vitórias sobre Ralph e Renzo Gracie e, segundo Alonso, chegou ao Mundial “com a moral lá em cima”. Do outro lado estava um nome em ascensão na Gracie Barra. “O Roleta era um garoto da Barra que vinha se destacando”, lembrou o jornalista.
Pouco antes, ainda de faixa-marrom, Roleta tinha perdido para Fábio Gurgel e para Castelo Branco em uma disputa por equipes. Carlos Gracie Jr. o graduou às vésperas do torneio. “Quando o Carlinhos dá a preta para ele pegar o Wallid, ele era absolutamente zebra”, afirmou Alonso.
Roleta raspou Wallid, venceu nos pontos e terminou o Mundial como campeão do meio-pesado. Foi o primeiro de quatro títulos mundiais na faixa-preta.
Três campeões e uma capa só
A vitória criou um problema na redação. Alonso tinha feito a melhor foto do torneio justamente na raspagem de Roleta, mas havia outros dois nomes fortes. Amaury Bitetti foi o campeão absoluto. Ricardo Libório, campeão do superpesado, voltava às competições e era funcionário do Banco do Brasil, o que levou a história dele para os grandes jornais.
“A capa, quem mais merecia era o Roleta, porque era a melhor foto, ele tinha ganho a luta talvez mais importante ali, que era a do Wallid”, disse Alonso. “Então você tinha três merecimentos.”
A decisão levou em conta a concorrência. A Tatame calculou que a revista rival daria Roleta e escolheu Libório. “Na mídia nunca teve tanta repercussão quanto o Libório, por ele ser do Banco do Brasil”, explicou.
Capa só com patrocínio
Alonso também fotografava para a Kiai, que ele descreve como a maior revista de artes marciais do país na época, e convenceu o dono a levar Carlson e Libório ao estúdio dele para uma capa. A resposta mostra como funcionava o mercado em 1996: sem patrocínio, a capa não sairia. Libório precisou dividir o custo entre três patrocinadores.
“Capa mais merecida impossível. Carlson Gracie”, comentou o jornalista. “Absurdo, né, cara?”
Trinta anos depois, o Mundial chegou à 30ª edição em 2026 e é disputado na Califórnia. O torneio que começou no ginásio da Tijuca virou o título mais desejado do esporte.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Marcelo Alonso está no canal da VF Comunica no YouTube.
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