Hélio e Carlson Gracie: a homenagem no terceiro Mundial e o aperto de mão que não aconteceu
Marcelo Alonso descreve à VF Comunica duas cenas que fotografou nos anos 1990: Hélio pulando o alambrado para ser homenageado e recolhendo a mão diante do sobrinho

A família Gracie construiu o Jiu-Jitsu brasileiro e conviveu durante décadas com uma rivalidade dentro de casa. De um lado, Hélio Gracie e os filhos. Do outro, o sobrinho Carlson Gracie e a academia que formou os principais adversários deles. O jornalista e fotógrafo Marcelo Alonso registrou os dois lados e guardou duas cenas que, juntas, explicam essa relação. Ele as contou a Vitor Freitas, na VF Comunica.
O salto no alambrado
A primeira é do terceiro Mundial de Jiu-Jitsu, em 1998, no Tijuca Tênis Clube. Hélio, então com 84 anos, estava na arquibancada para ver os filhos lutarem. “Naquele tempo a gente já sabia qual era o tamanho do seu Hélio. Ele já era um grande ídolo do Jiu-Jitsu”, disse Alonso.
A organização preparou uma homenagem, e Carlos Gracie Jr. chamou o tio ao tatame. O que aconteceu em seguida é a imagem que o jornalista guarda do torneio. “O seu Hélio pulando o alambrado, cara. A galera gritou em uníssono, foi inacreditável”, lembrou. O comentário no ginásio, segundo ele, era um só: o velhinho é sinistro.
Alonso fotografou o patriarca de costas, com o nome da família no kimono, e depois falando ao microfone, observado pelos filhos Relson, Royler e Rickson. “Tinha gente com os olhos cheios d’água, porque era a dinastia do Jiu-Jitsu ali completa”, disse.
A foto que ficou faltando
Completa, na verdade, não estava. Para Alonso, faltava um nome naquela imagem. “Para eu ficar feliz com aquela foto, o Carlson tinha que estar ali no meio”, afirmou. Ele gostaria que alguém tivesse quebrado o protocolo e chamado o sobrinho para o tatame. “Essa foto eu não tenho, infelizmente.”
A mão recolhida
A segunda cena mostra por que isso não aconteceu. Alonso tem uma foto dos dois juntos, feita em uma edição do Meca, evento de vale-tudo, em Teresópolis, na serra fluminense. Carlson chegou e passou diante da mesa principal, onde estavam Hélio e João Alberto. Estendeu a mão para o tio.
“O seu Hélio não estende. Puxa para trás e dá um riso, tipo: não vou apertar sua mão”, descreveu o jornalista. João Alberto percebeu o constrangimento e apertou a mão de Carlson no lugar dele. “O clima era esse”, resumiu Alonso.
Rivais, mas da mesma arte
O jornalista conta as duas histórias com o cuidado de quem conviveu com os personagens e avisa que tem respeito absoluto por Hélio. Ele também rejeita a ideia de que os dois lados praticassem artes diferentes. Carlson provocava o tio ao separar o “Carlson Gracie Jiu-Jitsu” do “Gracie Jiu-Jitsu”, e o estilo dele era de fato mais voltado para a pressão e a passagem de guarda. Mas, para Alonso, a diferença parava ali. “Era tudo o mesmo Jiu-Jitsu”, disse.
A prova, segundo ele, apareceu nos momentos difíceis. Na noite em que o aluno Wallid Ismail finalizou Royce Gracie, a primeira reação de Carlson foi ir até o primo derrotado. A história está em Royce x Wallid: os bastidores da luta que levou 7 mil pessoas à arena de Copacabana.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Marcelo Alonso está no canal da VF Comunica no YouTube.
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