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sexta-feira, 23 de outubro de 2026 23 out 2026
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Entrevista exclusiva

Claudio Calasans venceu em 2006 e nunca recebeu o prêmio

Campeão mundial e do absoluto do ADCC lembra o início da faixa-preta, quando só um campeonato pagava no ano, e cobra mais da premiação no grappling

Claudio Calasans na academia Calasans Camargo
Claudio Calasans, campeão mundial e do absoluto do ADCC. Foto: Divulgação | Ground Game
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Em 2006, primeiro ano de Claudio Calasans como faixa-preta, só existia um campeonato no calendário que pagava em dinheiro. Ele lutou, venceu e ficou sem receber. A história foi contada pelo campeão mundial da IBJJF e do absoluto do ADCC em entrevista ao canal da VF Comunica no YouTube, publicada em 6 de setembro de 2022, numa conversa sobre como a profissionalização mudou a vida de quem compete.

“Eu comecei a lutar de faixa-preta em 2006. Meu primeiro ano de faixa-preta só tinha um campeonato valendo dinheiro no ano”, lembrou Calasans. O prêmio da época era de R$ 5 mil. “Eu ganhei. Não recebi até hoje esse dinheiro.”

Do único torneio pago ao calendário cheio

Para Calasans, a diferença entre a geração dele e a atual aparece no planejamento. Se antes o atleta dependia de uma única chance no ano, hoje dá para montar uma temporada inteira em busca de premiação, e não só nos grandes eventos. Ele cita torneios de fim de semana no Brasil com absoluto pagando mil reais.

“Hoje em dia o pessoal consegue se programar para lutar todo mês”, afirmou. “O nível de profissionalização tá muito mais hoje em dia. Totalmente diferente.”

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A mudança chegou a ele também. Calasans contou que recebeu convite para um absoluto com bolsa de 100 mil dólares e explicou por que a resposta foi fácil para quem viveu o outro lado da história. “Para quem lutava em 2006 e não recebeu, e tem a chance de lutar um evento de 100 mil dólares, é impossível praticamente falar não.”

O recado sobre o ADCC

Mesmo otimista com o crescimento do esporte, o paulista de São José dos Campos fez uma ressalva aos atletas da nova geração. “A molecada está colhendo esses frutos, mas não pode estar satisfeita também com a premiação”, disse.

O exemplo escolhido foi o principal evento de grappling do mundo. Segundo Calasans, o ADCC pagava, se ele não se enganava, 10 mil dólares ao campeão de cada categoria, o mesmo valor desde a primeira edição. “Dá para melhorar. Tá bom para caramba, mas pode melhorar.”

A cobrança foi feita em setembro de 2022. Desde então, o cenário mudou: o ADCC anunciou aumento na premiação e dobrou o prêmio dos campeões masculinos por categoria para US$ 20 mil, em meio à concorrência com o Craig Jones Invitational, que pressionou a organização também na premiação feminina.

Calasans fez de 2015 o ano mais marcante da carreira, com o título mundial do peso-médio da IBJJF em maio e o ouro no absoluto do ADCC em agosto, em São Paulo. Assista abaixo à entrevista completa, publicada em 6 de setembro de 2022 no canal da VF Comunica no YouTube.

E você, acha que a premiação no Jiu-Jitsu e no grappling já está no nível que os atletas merecem? Deixe sua opinião nos comentários.

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Vitor Freitas
Escrito por Vitor Freitas

Vitor Freitas é jornalista e cobre o Jiu-Jitsu há mais de 15 anos, com entrevistas, reportagens e presença nos principais eventos do Jiu-Jitsu ao redor do mundo. Em 2022, criou a VF Comunica.

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