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terça-feira, 13 de outubro de 2026 13 out 2026
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Tererê e o “Jiu-Jitsu sobe o morro”: a torcida das favelas que mudou o Mundial

Marcelo Alonso conta à VF Comunica como uma luta de faixa-roxa levou um novo público para a arquibancada e virou uma das capas de que ele mais se orgulha

Fernando Tererê
Fernando Tererê. Foto: Reprodução | Instagram @mestreterere
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Nos primeiros Mundiais de Jiu-Jitsu, a arquibancada do Tijuca Tênis Clube tinha um perfil bem definido. “O primeiro Mundial ainda era um público elite, eram alguns gringos”, lembra o jornalista e fotógrafo Marcelo Alonso, que cobriu aquelas edições como editor da Tatame. A mudança, segundo ele, tem nome: Fernando Tererê.

Em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica, Alonso apontou o faixa-roxa do Cantagalo como o atleta que mais bagunçou o cenário que ele conhecia. O ponto de virada foi uma luta contra o americano Ricco Rodriguez, bem maior do que ele. “Ele tem aquela luta histórica com o Ricco Rodriguez na faixa-roxa. É a primeira vez que a favela desce”, disse.

O grito das favelas

Até então, quem dominava o som do ginásio era a torcida de Carlson Gracie, com cantos puxados por um torcedor conhecido como Sadã. Alonso descreve o que veio depois como algo que ninguém tinha visto. “Quando chega o Tererê, vem um troço diferente de tudo, que é o grito das favelas. Ali você vê aquela galera da favela na arquibancada, que normalmente não estava ali”, contou.

O jornalista percebeu que havia uma história maior do que o resultado de uma luta e levou a pauta para a redação.

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Sete favelas e uma capa

A reportagem saiu com o título “O Jiu-Jitsu sobe o morro” e mostrava o impacto de Tererê nas comunidades do Rio de Janeiro. Alonso buscou o lutador no Cantagalo e percorreu outras favelas para fotografar quem tinha começado a treinar por causa dele. A foto principal reuniu, na frente da Rocinha, gente de várias delas ao lado do ídolo. “Eu fui em sete favelas”, disse.

Em todas, a resposta se repetia. Segundo Alonso, os alunos dos projetos apontavam Tererê como referência. “Uma das capas que eu tenho mais orgulho é essa”, afirmou.

Para Vitor Freitas, o efeito dura até hoje: todo projeto social de Jiu-Jitsu tem uma semente plantada por Tererê, porque antes dele não havia campeão saído de uma comunidade. Alonso concordou. “O Tererê é a semente que revolucionou.”

Carlson veio antes

O jornalista fez questão de registrar que a porta já tinha sido aberta por Carlson Gracie, que acolhia em sua academia quem não podia pagar, desde que tivesse potencial. “O que o Carlson estava interessado era se você tinha potencial para ser um campeão”, disse. Tererê, que mais tarde seria campeão mundial na faixa-preta, levou essa abertura para dentro dos morros e para a arquibancada.

Vídeo completo no YouTube

A entrevista completa com Marcelo Alonso está no canal da VF Comunica no YouTube.

Quem foi o atleta que fez você começar no Jiu-Jitsu? Deixe sua opinião nos comentários.

Vitor Freitas
Escrito por Vitor Freitas

Vitor Freitas é jornalista e cobre o Jiu-Jitsu há mais de 15 anos, com entrevistas, reportagens e presença nos principais eventos do Jiu-Jitsu ao redor do mundo. Em 2022, criou a VF Comunica.

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