Tererê e o “Jiu-Jitsu sobe o morro”: a torcida das favelas que mudou o Mundial
Marcelo Alonso conta à VF Comunica como uma luta de faixa-roxa levou um novo público para a arquibancada e virou uma das capas de que ele mais se orgulha

Nos primeiros Mundiais de Jiu-Jitsu, a arquibancada do Tijuca Tênis Clube tinha um perfil bem definido. “O primeiro Mundial ainda era um público elite, eram alguns gringos”, lembra o jornalista e fotógrafo Marcelo Alonso, que cobriu aquelas edições como editor da Tatame. A mudança, segundo ele, tem nome: Fernando Tererê.
Em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica, Alonso apontou o faixa-roxa do Cantagalo como o atleta que mais bagunçou o cenário que ele conhecia. O ponto de virada foi uma luta contra o americano Ricco Rodriguez, bem maior do que ele. “Ele tem aquela luta histórica com o Ricco Rodriguez na faixa-roxa. É a primeira vez que a favela desce”, disse.
O grito das favelas
Até então, quem dominava o som do ginásio era a torcida de Carlson Gracie, com cantos puxados por um torcedor conhecido como Sadã. Alonso descreve o que veio depois como algo que ninguém tinha visto. “Quando chega o Tererê, vem um troço diferente de tudo, que é o grito das favelas. Ali você vê aquela galera da favela na arquibancada, que normalmente não estava ali”, contou.
O jornalista percebeu que havia uma história maior do que o resultado de uma luta e levou a pauta para a redação.
Sete favelas e uma capa
A reportagem saiu com o título “O Jiu-Jitsu sobe o morro” e mostrava o impacto de Tererê nas comunidades do Rio de Janeiro. Alonso buscou o lutador no Cantagalo e percorreu outras favelas para fotografar quem tinha começado a treinar por causa dele. A foto principal reuniu, na frente da Rocinha, gente de várias delas ao lado do ídolo. “Eu fui em sete favelas”, disse.
Em todas, a resposta se repetia. Segundo Alonso, os alunos dos projetos apontavam Tererê como referência. “Uma das capas que eu tenho mais orgulho é essa”, afirmou.
Para Vitor Freitas, o efeito dura até hoje: todo projeto social de Jiu-Jitsu tem uma semente plantada por Tererê, porque antes dele não havia campeão saído de uma comunidade. Alonso concordou. “O Tererê é a semente que revolucionou.”
Carlson veio antes
O jornalista fez questão de registrar que a porta já tinha sido aberta por Carlson Gracie, que acolhia em sua academia quem não podia pagar, desde que tivesse potencial. “O que o Carlson estava interessado era se você tinha potencial para ser um campeão”, disse. Tererê, que mais tarde seria campeão mundial na faixa-preta, levou essa abertura para dentro dos morros e para a arquibancada.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Marcelo Alonso está no canal da VF Comunica no YouTube.
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