Letícia Teixeira: ouro e pódios em 2026 como faixa-preta
Campeã mundial na faixa-marrom, a carioca da Atos venceu o American National, foi bronze no Pan e vice no GP do Brave Challenge II

Graduada faixa-preta no Mundial de 2025, em Long Beach, Letícia Teixeira chega ao fim de outubro de 2026 com a primeira temporada completa na faixa principal do Jiu-Jitsu já cheia de capítulos. No dia 10, a carioca de 26 anos chegou à final do GP feminino do Brave Challenge II, em Maryland, nos Estados Unidos, e ficou com o vice diante de Tayane Porfírio.
Antes disso, a faixa-preta da Atos foi campeã do pesado no American National da IBJJF, em Las Vegas, ficou com o bronze no Pan e caiu nas quartas de final do Mundial por decisão dividida dos árbitros, depois de um 0x0.
Final no Brave Challenge II
O GP feminino do Brave Challenge II, em Gaithersburg, reuniu oito atletas no absoluto, com US$ 1.000 para a campeã e uma roleta que decidia, antes de cada luta, se o confronto seria de kimono ou sem kimono. O evento teve transmissão ao vivo da VF Comunica no YouTube.
Letícia venceu Lívia Afonso por 2 a 0 na semifinal e encontrou na decisão a favorita da chave. Tayane Porfírio levou a melhor e ficou com o cinturão.
Às vésperas do evento, em entrevista exclusiva à VF Comunica, Letícia defendeu o formato com premiação para as mulheres.
“Eu acho que iniciativas como essa são muito importantes porque mostram que o Jiu-Jitsu feminino está cada vez mais sendo tratado de forma profissional”, disse. “Quanto mais eventos investirem nas mulheres, oferecendo boas oportunidades, premiações e visibilidade, mais atletas vão conseguir enxergar o Jiu-Jitsu como uma carreira profissional e não apenas como um esporte.”
Depois da final, ela agradeceu a oportunidade nas redes sociais. “Poder viver do esporte, fazer o que amo e ainda conhecer pessoas incríveis e viver experiências como essa é algo pelo qual nunca quero deixar de ser grata”, escreveu.
Bronze no Pan e decisão dividida no Mundial
O Pan de 2026, em março, foi o primeiro grande teste da temporada. No pesado, Letícia venceu Karoline Caramori nas quartas de final, na decisão dos árbitros, e parou na semifinal diante de Maria Malyjasiak. Saiu da Flórida com o bronze.
No Mundial, em Long Beach, ela desceu para o meio-pesado e encontrou Maria Vicentini já nas quartas. A luta terminou em 0x0 e foi decidida pelos árbitros, de forma dividida, a favor da adversária.
Vicentini virou presença constante no caminho da carioca. Na estreia de Letícia como faixa-preta, no American National de 2025, foi ela quem venceu a rival na semifinal do absoluto, também na decisão. Em 2026, as duas se cruzaram duas vezes, e Vicentini levou a melhor nas duas: no Mundial e no absoluto do American National.
Ouro no American National, em Las Vegas
A resposta veio poucas semanas depois do Mundial. No American National de 2026, o mesmo torneio em que Aghata venceu Sarah Galvão no absoluto, Letícia voltou ao pesado e ficou com o ouro. Na semifinal, finalizou Christina Hansen com uma chave de braço. Na final, superou Greta Notaro na vantagem, depois de um empate em 2×2.
No American National sem kimono, também em Las Vegas, chegou a duas finais. Nas semifinais do peso e do absoluto, finalizou Christina Hansen com chave de joelho. Nas decisões, perdeu para Helena Crevar no peso e para Beatrice Jin no absoluto, e voltou para casa com duas pratas.
No JJ Con, Letícia finalizou Denise Krahn com uma chave de calcanhar nas quartas do pesado sem kimono e parou na semifinal diante de Nia Blackman. No kimono, chegou à semifinal do absoluto e perdeu para Maria Vitória Ruffatto.
Da natação à faixa-preta
Nascida em abril de 2000, Letícia cresceu na Vila São Pedro, em Bonsucesso, no Rio de Janeiro. Por causa de um problema no joelho, passou a infância na natação. O Jiu-Jitsu só entrou na vida dela aos 18 anos, depois de quatro cirurgias e da liberação médica para qualquer atividade física.
Em entrevista à VF Comunica em novembro de 2025, ela contou o que a levou ao tatame.
“Eu estava muito acima do peso e queria um esporte novo que não fosse natação, porque minha vida toda fiz natação por causa de um problema no joelho”, relembrou.
Começou na GFTeam Higienópolis, com Bruno Guedes e Sergio Perez, onde foi da faixa-branca à roxa. Com Thiago Cidro, no Guetto, em Madureira, recebeu a faixa-marrom. Depois vieram a mudança para São Paulo, com a passagem pela Fratres, e a ida para os Estados Unidos, em 2025, para treinar na sede da Atos, em San Diego. Em junho daquele ano, recebeu a faixa-preta de André e Angélica Galvão.
Uma faixa-marrom de Grand Slam
Antes da faixa-preta, Letícia fechou o Grand Slam da IBJJF na faixa-marrom: foi campeã do Pan em 2024 e do Europeu, do Brasileiro e do Mundial em 2025. O título em Long Beach veio depois de dois bronzes seguidos no Mundial, em 2023 e 2024.
“Ser campeã mundial foi um divisor de águas. Eu estava mudando de país, cheia de incertezas, e esse título representou a certeza de que todo o esforço valeu a pena”, disse à VF Comunica.
Na publicação em que comemorou o título e a nova faixa, ela resumiu a filosofia que carrega desde então: “Se você for persistente, você conseguirá. Se for consistente, você manterá.”
O próximo passo
Há um ano, Letícia apontava o objetivo que tinha na faixa-preta. “Essa fase tem sido desafiadora, mas meu objetivo é me firmar entre as grandes da minha categoria, conquistar títulos de expressão e parar de fazer trabalhos paliativos fora do Jiu-Jitsu”, afirmou na época. Hoje, além de competir, ela também dá aulas para crianças nos Estados Unidos.
O próximo compromisso já está marcado: no dia 22 de novembro, ela disputa o absoluto feminino sem kimono do Queen of the City, em National City, na Califórnia.
Com ouro em Las Vegas, pódios no circuito da IBJJF e uma final no Brave Challenge logo no primeiro ano, o caminho até as grandes já começou. E você, acha que Letícia Teixeira tem jogo para disputar o ouro do Mundial da faixa-preta em 2027? Deixe sua opinião nos comentários.







