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sábado, 10 de outubro de 2026 10 out 2026
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UFC BJJ

Três campeões do UFC BJJ de olho no MMA

Musumeci e Lucas Valente deixaram o cinturão, e Renato Canuto tem luta marcada para dezembro; Claudia Gadelha diz que quer carreiras para quem não precisa mudar de esporte

Mikey Musumeci de luvas de MMA e calção de muay thai, em posição de luta
Mikey Musumeci em foto publicada por ele nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram
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Em poucos meses, dois campeões do UFC BJJ abriram mão do cinturão para se dedicar ao MMA, e o campeão mais novo da organização tem luta de MMA marcada para dezembro. O movimento virou assunto na coletiva do UFC BJJ 12, na quinta-feira (8), em Las Vegas, na mesma noite em que a presidente Claudia Gadelha disse que o objetivo do evento é oferecer carreira a quem não precisa trocar de esporte.

Musumeci: “Obcecado pelo treino de MMA”

O caso mais recente é o de Mikey Musumeci. O americano anunciou durante o UFC BJJ 12 que deixou vago o cinturão peso-galo, sem ter perdido na organização. “Tenho 30 anos, estou obcecado pelo treino de MMA e quero priorizar a minha preparação para o MMA”, escreveu, em inglês. Ele avisou que continua treinando Jiu-Jitsu todos os dias e que pretende seguir fazendo superlutas no UFC BJJ.

Lucas Valente: três meses de reinado

Antes dele, foi a vez de Lucas Valente. O brasileiro, bicampeão mundial sem kimono, conquistou o cinturão peso-leve em 2 de abril, ao finalizar Carlos Henrique com uma chave de pé no terceiro round do UFC BJJ 7, e não chegou a defendê-lo. Segundo a transmissão oficial do UFC BJJ 12, ele abriu mão do título cerca de três meses depois, para se dedicar ao MMA, à paternidade e à abertura da própria academia.

Canuto: cinturão no Jiu-Jitsu e luta de MMA em dezembro

O título que era de Valente agora pertence a Renato Canuto, que venceu Ethan Crelinsten no UFC BJJ 12. O novo campeão tem uma luta de MMA marcada para dezembro e falou sobre os dois caminhos na coletiva. “Quero muito mostrar o meu Jiu-Jitsu nas minhas próximas lutas de MMA”, disse.

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Canuto garantiu, porém, que não pretende largar o cinturão. “Por enquanto, vamos defender este título por um bom tempo”, afirmou. Perguntado se sonha em ter um título no UFC BJJ e outro no UFC, respondeu: “Na minha cabeça, sou o cara mais perto de fazer isso neste momento”. E ponderou: “Vou ganhar um cinturão? Isso está longe”.

O que diz Claudia Gadelha

Ao comentar a conquista de Canuto, a presidente do UFC BJJ explicou o que a organização busca. “Queremos construir carreiras para atletas que não querem ou não precisam ir lutar MMA, e o Renato Canuto é a prova do nosso trabalho aqui”, disse Gadelha, que contou que o brasileiro e a esposa compraram uma casa com o dinheiro que ganharam nos eventos de Jiu-Jitsu do UFC.

Quando perguntaram se ela gostaria que o campeão pegasse mais leve no MMA, a dirigente respondeu falando dos próximos desafios dele no Jiu-Jitsu. “Não acho que a vida dele vai ficar mais fácil como campeão do UFC BJJ”, afirmou. Sobre Musumeci, ela disse ter certeza de que ele será bom no MMA e que pode chegar ao UFC.

O caminho também existe no sentido contrário

O próprio UFC BJJ 12 teve um exemplo da rota inversa. Gilbert Durinho encerrou a carreira no MMA em abril, voltou ao Jiu-Jitsu e, segundo Gadelha, pediu para enfrentar os melhores. A própria presidente é ex-lutadora do UFC.

O tema divide até quem fez a transição. Max Gimenis, faixa-preta que hoje luta no UFC, deu recentemente um conselho a quem pensa em mudar: “Não vai, não”. Para ele, o Jiu-Jitsu já oferece oportunidades suficientes para o atleta construir a carreira sem trocar de modalidade.

Peso-leve já teve três campeões em menos de um ano e meio

A saída de Valente ajuda a explicar por que o cinturão que Renato Canuto conquistou é o que mais mudou de mãos entre os homens no UFC BJJ. Desde a primeira edição do evento, em junho de 2025, a categoria já teve três campeões, todos brasileiros. Nos outros pesos masculinos, nenhum campeão foi derrotado em disputa de título até hoje.

O primeiro dono do cinturão foi Carlos Henrique. O manauara venceu Danilo Moreira no UFC BJJ 1, em 25 de junho de 2025, e se tornou o primeiro brasileiro campeão da organização. Em outubro daquele ano, defendeu o título contra Matheus Gabriel, no UFC BJJ 3.

A trajetória dele até ali passou perto de acabar antes. “Eu estava numa fase de já parar de treinar, aposentar, porque eu achava que não era pra mim”, contou à VF Comunica depois da conquista, ao lembrar o período anterior à mudança para São Paulo.

Com o cinturão vago, a organização colocou Renato Canuto contra o canadense Ethan Crelinsten. Era a segunda disputa de título do brasileiro no UFC BJJ. Em julho de 2025, ele tinha desafiado Andrew Tackett nos meio-médios e foi finalizado no primeiro round. Depois de duas vitórias por decisão, desceu de categoria e venceu Crelinsten por decisão unânime.

Em dezembro de 2024, quando ainda lutava pelo UFC Fight Pass Invitational, Canuto disse à VF Comunica o que procurava. “Eu estou procurando alguém que dê valor a esse Jiu-Jitsu que eu tenho investido há tanto tempo”, afirmou. A trajetória completa está na ficha de Renato Canuto.

Quem aparece na fila

O primeiro desafio do novo campeão é fazer o que só Carlos Henrique conseguiu na categoria: defender o cinturão. No próprio UFC BJJ 12, dois leves venceram. Landon Elmore finalizou Max Livingston no primeiro round, e John Chandler bateu Raphael Gomez por decisão e chegou a duas vitórias em duas lutas. No UFC BJJ 13, em 29 de outubro, Tristan Sainz enfrenta David Weintraub na mesma divisão.

Entre as mulheres, o peso-pena vive situação parecida, com três campeãs desde dezembro de 2025: Aurélie Le Vern, Rebeca Lima e Brianna Ste-Marie.

O UFC BJJ consegue manter os campeões no Jiu-Jitsu? Deixe sua opinião nos comentários.

Vitor Freitas
Escrito por Vitor Freitas

Vitor Freitas é jornalista e cobre o Jiu-Jitsu há mais de 15 anos, com entrevistas, reportagens e presença nos principais eventos do Jiu-Jitsu ao redor do mundo. Em 2022, criou a VF Comunica.

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