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“A gente não vai pra Europeu pra ‘ver no que dá’. Vamos pra competir de verdade”, diz Luciano Bernert

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Luciano Bernert é extremamente dedicado à evolução dos seus alunos na academia. Foto: Start Doing
Luciano Bernert é extremamente dedicado à evolução dos seus alunos na academia. Foto: Start Doing

Às vésperas do Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu, um dos eventos mais tradicionais e disputados do calendário mundial, Luciano Bernert, faixa-preta e líder da equipe Start Doing, aponta que o grande diferencial do time não está apenas no talento individual dos atletas, mas na construção de um ambiente sólido, disciplinado e orientado por propósito.

Segundo Bernert, a preparação da equipe vai muito além da técnica. Envolve confiança no processo, clareza de identidade e um entendimento profundo do motivo pelo qual cada atleta pisa no tatame.

“O nosso maior diferencial é o ambiente. A gente construiu um time que confia no processo, confia no treino e confia um no outro. Não é só talento, é constância, é disciplina e é propósito”, afirma Luciano, em papo com a VF Comunica.

Ao falar sobre a postura do time no Europeu, um dos torneios de maior prestígio da IBJJF, Luciano deixa claro que a equipe chega à competição com identidade definida e mentalidade competitiva. Segundo ele, não há espaço para improviso ou participação protocolar.

“Os atletas da Start entram no campeonato sabendo exatamente quem eles são, o que treinam todos os dias e por que estão ali. A gente não vai pra Europa pra ‘ver no que dá’. A gente vai pra competir de verdade”, comenta o faixa-preta.

Liderança, valores e gestão de talentos

Com um elenco cada vez mais qualificado, Bernert explica que controlar um ambiente com alto nível técnico exige clareza de valores e liderança ativa. Para o treinador, talento sem direcionamento pode se transformar em um problema dentro de uma equipe.

“Com clareza de valores. Talento sem direção vira problema. Aqui todo mundo sabe que ninguém é maior que o time, que o treino é sagrado e que respeito vem antes de resultado”, afirma o treinador, ao comentar os desafios de liderar um time com altos talentos como os faixas-pretas Lucas Bernert, e Marcio Cruz, o faixa-marrom, Raphael “Chapolin”, o faixa-azul Bernardo Bernert, só para citar parte do seu esquadrão.

Bernert ressalta que sua atuação vai além da cobrança por desempenho. Ele também se vê como responsável por proteger o ambiente construído diariamente dentro da academia.

“Eu cobro muito, mas também protejo muito o ambiente. Quando o atleta entende que ele está num lugar seguro pra evoluir, o ego diminui e a performance sobe”, pontua o professor da Start Doing.

Ao detalhar a base competitiva atual da equipe, Luciano Bernert explica que o trabalho da Start Doing está estruturado em processos claros, ciclos de treinamento e repetição consciente, com cada etapa da preparação tendo um objetivo bem definido.

“Hoje a base é processo e repetição inteligente. A gente trabalha muito em ciclos: fundamento bem feito, estratégia clara e situações reais de luta”, diz o responsável técnico da equipe, ao explicar a metodologia aplicada. Segundo o treinador, os treinos são organizados para reforçar fundamentos, estratégia e tomada de decisão em situações reais de luta.

Bernert reforça que não existe treino aleatório dentro da Start Doing e que cada sessão carrega uma intenção específica dentro do planejamento.

“Não é só rolar por rolar. Cada treino tem intenção. O físico, a mente e a recuperação entraram forte no nosso dia a dia. Competir hoje é muito mais do que saber técnica.”, comenta.

A evolução do Jiu-Jitsu competitivo

Atento às transformações do esporte e conhecido por sua postura analítica, Luciano avalia que uma das principais evoluções do Jiu-Jitsu competitivo nas últimas temporadas está na forma como os atletas constroem o caminho até a finalização. Para o professor, o alto nível técnico atual exige mais paciência, controle e inteligência estratégica.

“Na minha visão, foi o entendimento de controle antes da finalização. Os atletas de elite estão muito mais pacientes, dominando espaço, tempo e energia do adversário. Menos pressa, mais inteligência. Quem aprende a cansar o outro e impor ritmo, normalmente ganha a luta antes mesmo da finalização aparecer”, diz Luciano, ao analisar o cenário atual da modalidade.

Formação de atletas e visão de longo prazo

Ao ser questionado sobre a possibilidade de novos talentos surgirem dentro da Start Doing, Bernert evita citar nomes específicos e reforça que o foco do projeto está na formação completa do atleta, indo além de resultados imediatos e títulos pontuais.

“A gente tem vários nomes fortes surgindo, mas o que me deixa mais tranquilo é saber que o próximo talento não é só técnico. Ele vem com mentalidade, disciplina e fome de evolução. Aqui a gente não revela só campeão, a gente revela atleta de verdade, preparado para o longo prazo. O nome vai aparecer naturalmente, porque o trabalho já está sendo feito”, afirma Luciano.

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Escrito por Vitor Freitas

Jornalista, Vitor Freitas atua diretamente na produção de conteúdo para o Jiu-Jitsu de todas as formas há 13 anos.

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