Dricus du Plessis recusa torneio de uma noite no UFC
Técnico do ex-campeão diz que o UFC propôs quatro meio-pesados na mesma noite, com vaga para desafiar Carlos Ulberg, e que a prioridade é recuperar o cinturão do peso-médio.

O UFC ofereceu a Dricus du Plessis uma vaga em um torneio de quatro meio-pesados disputado em uma única noite, com direito a desafiar o campeão Carlos Ulberg, e ouviu um não. Quem contou foi Morne Visser, técnico do sul-africano, em entrevista ao programa Fight Forecast repercutida nesta quarta-feira (21) por Sherdog e MMA News.
Segundo Visser, a proposta chegou há cerca de três semanas. Ele recusou porque a prioridade do ex-campeão é voltar ao peso-médio, recuperar o cinturão e defendê-lo ao menos uma vez antes de mudar de categoria. Até a publicação desta matéria, o UFC não havia comentado o assunto.
Como seria o torneio do meio-pesado
Pelo relato do técnico, os quatro nomes seriam Du Plessis, Jiri Prochazka, Magomed Ankalaev e Navajo Stirling. Eles lutariam na mesma noite, em dois confrontos, e os dois vencedores fariam a luta que definiria o desafiante de Ulberg.
O neozelandês conquistou o cinturão vago em abril, no UFC 327, com um nocaute no primeiro round sobre Prochazka. Desde então, se recupera de uma cirurgia no joelho, e o topo da divisão ficou parado.
O meio-pesado mudou de cara em 2026. Alex Poatan Pereira, ex-campeão da categoria, subiu para os pesados em busca de um cinturão em uma terceira divisão, como a VF Comunica mostrou na matéria sobre a queixa do brasileiro contra o UFC por causa de Gane x Hokit.
Sem o torneio, o UFC seguiu outro caminho: Prochazka e Stirling fazem a luta principal do UFC Qatar, em 21 de novembro, em Doha, em cinco rounds. Ankalaev segue sem luta marcada.
Por que o técnico de Du Plessis disse não
Para Visser, ganhar peso é a parte fácil, e a adaptação a uma nova categoria leva tempo. “Levei um ano para fazer o Dricus sair do meio-médio e chegar ao peso-médio”, disse, ao lembrar a subida anterior do pupilo.
O plano, segundo ele, segue uma ordem: “Queremos nosso cinturão do peso-médio de volta e queremos defendê-lo uma vez”. Só depois viria o meio-pesado, que o técnico tratou como certo: “Esse é 100% o plano”.
Du Plessis tem 24 vitórias e três derrotas no MMA e aparece em segundo lugar no ranking do peso-médio, segundo o site oficial do UFC. Perdeu o cinturão para Khamzat Chimaev no UFC 319, em agosto de 2025, e voltou a vencer em julho, por decisão unânime sobre Kamaru Usman. Visser prevê a volta entre o fim de fevereiro e março.
O retorno mexe com a fila da categoria. O campeão é Sean Strickland, a quem Du Plessis já venceu duas vezes, e o brasileiro Caio Borralho enfrenta Yousri Belgaroui no UFC 334, em 14 de novembro, em Nova York, luta para a qual Glover Teixeira vê o rival do brasileiro evoluindo no chão.
O torneio de uma noite e o Jiu-Jitsu no UFC 1
A proposta recusada lembra a origem do próprio UFC. O evento nasceu como um torneio de oito lutadores em uma noite, pensado para mostrar a eficiência do Jiu-Jitsu contra outras lutas, como a VF Comunica conta na história do Jiu-Jitsu brasileiro.
Na primeira edição, em 12 de novembro de 1993, em Denver, Royce Gracie venceu três adversários na mesma noite, todos por finalização. Na final, pegou o holandês Gerard Gordeau com um mata-leão.
Em um torneio assim, terminar cedo vale ouro, porque cada minuto a menos dentro do octógono é energia guardada para a luta seguinte. Trinta e três anos depois, o formato voltou à mesa do UFC, agora valendo uma disputa de cinturão, e esbarrou em um técnico que prefere o caminho mais longo.
E você, acha que Dricus du Plessis acertou ao recusar o torneio, ou uma noite com quatro meio-pesados seria a melhor forma de escolher o desafiante de Ulberg? Deixe sua opinião nos comentários.
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