Xande Ribeiro: treino sem kimono melhorou seu jogo de kimono
“O meu Jiu-Jitsu de kimono é totalmente sem kimono”, diz o multicampeão, que defende unir as duas modalidades e critica academias que só ensinam para competir

Defensor do kimono, Xande Ribeiro contou em entrevista gravada com a VF Comunica em 2022 que o próprio jogo de kimono evoluiu quando ele passou a treinar muito sem kimono. Para o sete vezes campeão mundial, que comanda a Six Blades Jiu-Jitsu em Austin, nos Estados Unidos, o caminho é unir as duas modalidades em vez de separá-las.
O treino sem kimono na academia de Xande
Xande lembrou que hoje quase toda academia é obrigada a oferecer aula sem kimono, porque muitos alunos chegam perguntando só por esse horário. Na academia dele, a lógica é outra.
“Eu acho que, muito mais do que criar separação, tem que criar uma união. Se não tiver treino sem kimono, o nego não assina a academia. Mas eu não quero esse cara, eu quero o cara que quer aprender tudo. Na minha academia, eu tenho um treino sem kimono, e é engraçado que é o treino mais vazio. Porque essa aqui é a minha linhagem. Você quer aprender? É aqui. Quando você aprender isso aqui, a gente começa a adicionar o resto.”
Como o sem kimono ajuda o jogo de kimono
Para Xande, as duas modalidades se alimentam, desde que o professor saiba como elas se cruzam.
“O meu Jiu-Jitsu de kimono é totalmente sem kimono. Eu comecei a melhorar o meu Jiu-Jitsu de pano quando comecei a fazer muito sem kimono. O posicionamento do sem kimono ajuda muito o de kimono. E tem coisas que eu quero melhorar no sem kimono que eu pratico de kimono, umas posições de meia-guarda, o shoulder crunch. Com a fricção do pano, o teu corpo começa a ganhar aquela inteligência corporal num ambiente de estresse. Aí, quando eu vou para o sem kimono, a posição está ali. É isso que o educador marcial tem que entender: a conexão dos dois é que faz o Jiu-Jitsu perfeito.”
A crítica às academias que só ensinam para competir
Xande também apontou o que considera um erro em muitas escolas: ensinar o Jiu-Jitsu já pensando no resultado em competição, e não na formação do artista marcial.
“A crítica que eu faço a muitas academias é que elas já ensinam o Jiu-Jitsu visando a vitória competitiva, e não uma educação no âmbito maior de um artista marcial. Por isso que, na academia, tem ordem e procedimento. Tem que alinhar, tem que ter kimono da cor correta, tem que ter postura, tem que aprender as coisas. Melhor saber e não usar do que precisar e não saber. Vamos competir? Beleza, temos uma aula específica. Agora é porrada.”
A entrevista completa está no canal da VF Comunica no YouTube.
E você, treina de kimono, sem kimono ou os dois?





