Tao Jiu Jitsu Academy: rotina e calma no tatame em Dubai
Professor nos Emirados desde 2014, o faixa-preta fala de rotina, comunidade e calma em tempos de incerteza

O faixa-preta Alexandre Altenburg Odebrecht, professor principal da Tao Jiu Jitsu Academy, em Dubai, defende que manter a rotina de treinos é uma das melhores formas de atravessar um período de incerteza. Em entrevista à VF Comunica, ele explicou como o Jiu-Jitsu ajuda os alunos a cuidar da cabeça no dia a dia, dentro e fora do tatame.
Alexandre dá aulas nos Emirados Árabes Unidos desde 2014 e acompanhou de perto o crescimento do esporte no país, onde o Jiu-Jitsu entrou no currículo escolar. Sua academia fica em Arjan, perto do Miracle Garden, e tem aulas todos os dias para adultos, mulheres e crianças.
Um ponto fixo no dia
Para o professor, o primeiro ganho do treino em um momento assim é a previsibilidade.
“O Jiu-Jitsu oferece às pessoas, em tempos incertos, um ponto fixo no dia com o qual elas podem contar. Quando a vida parece caótica e imprevisível, ter uma rotina em que você chega ao tatame no mesmo horário, encontra as mesmas pessoas e faz o mesmo aquecimento cria uma sensação de familiaridade”, afirma.
O segundo ganho vem da própria dinâmica da luta, que exige atenção total.
“Ele também mantém você no presente. Não dá para pensar no que está acontecendo lá fora enquanto alguém tenta passar a sua guarda. Essa presença forçada é quase meditativa. E, fisicamente, o próprio esforço regula o sistema nervoso de um jeito que apenas pensar no estresse nunca consegue”, explica.

Um tempo longe das preocupações
Perguntado se o treino vira uma válvula de escape quando há muito estresse fora da academia, Alexandre não hesita.
“Com certeza. Vejo o Jiu-Jitsu como uma forma de as pessoas se desligarem de tudo o que está acontecendo lá fora. Quando você está no tatame, não consegue ficar pensando no trabalho, nas contas ou em todo o resto que está acontecendo na sua vida. Você precisa estar presente”, diz.
“Acho que essa é uma das melhores coisas de treinar. As pessoas ganham algumas horas para focar nelas mesmas, aliviar o estresse e simplesmente aproveitar aquele momento. Às vezes, alguém chega carregando um peso enorme e sai bem mais leve.”
A academia como rede de apoio
A convivência com os colegas de treino é, na visão do professor, parte central do que uma academia oferece.
“Acho que a comunidade é uma das coisas que mais tornam uma academia especial. Não se resume a chegar, treinar e ir para casa. Você cria laços com pessoas que talvez nunca tivesse conhecido e que, com o tempo, passam a fazer parte do seu dia a dia”, afirma.
“Principalmente em momentos difíceis, ter um lugar para ir onde as pessoas conhecem você, perguntam como você está e se importam de verdade faz muita diferença. Às vezes, você nem precisa falar sobre o que está acontecendo. Só aparecer, treinar com os companheiros de equipe e estar perto de gente boa já pode ser suficiente.”

O que o tatame ensina sobre ansiedade e medo
Além do condicionamento físico, Alexandre aponta um aprendizado que qualquer praticante reconhece: manter a calma em uma posição ruim.
“O Jiu-Jitsu ensina muito sobre manter a calma quando as coisas não estão indo do seu jeito. Há vários momentos em que você está preso em uma posição ruim, cansado, e tudo parece demais. Mas, se entrar em pânico, normalmente você piora a situação”, diz.
“Você aprende a respirar, desacelerar e pensar no próximo movimento em vez de reagir na hora. Acho que isso se reflete no dia a dia. Você começa a entender que não pode controlar tudo, mas pode controlar a forma como reage.”
Para ele, é aí que está o ensinamento mais valioso do esporte.
“Para mim, essa é uma das maiores lições do Jiu-Jitsu. Você nem sempre precisa ter a resposta completa. Às vezes, só precisa manter a calma e dar o próximo passo.”
Recado para quem vive nos Emirados
O professor deixa uma mensagem a quem procura alívio e um pouco de normalidade no país, tanto para quem treina quanto para quem nunca pisou em um tatame.
“Eu diria para tentar manter alguma rotina na sua vida, principalmente quando tudo ao seu redor parece incerto. Venha treinar, saia para caminhar, passe tempo com pessoas de quem você gosta”, aconselha.
“Treinar não vai fazer desaparecer tudo o que está acontecendo lá fora, mas dá a você um tempo para focar em algo positivo e estar perto de quem apoia você. Às vezes, ter apenas aquela uma hora para você pode fazer uma diferença maior do que imagina. E você não precisa praticar Jiu-Jitsu para entender isso. Basta encontrar algo que coloque você em movimento, mantenha seus pés no chão e traga um pouco de normalidade.”
E você, já encontrou no Jiu-Jitsu um apoio para atravessar um momento difícil?
Leia também
Mais em Entrevistas
- 01
- 02
- 03







