“Rickson perdia para faixa-azul”? Marcelo Alonso explica as duas fases de Rickson Gracie
Jornalista rebate, na VF Comunica, os cortes de vídeo que circulam sem contexto e conta como fez uma das capas mais vendidas da Tatame, com Rickson dentro de uma piscina

De tempos em tempos, um corte de vídeo volta a circular com a mesma provocação: Rickson Gracie, o lutador que a família apresentava como invencível, “perdia para faixa-azul” nos treinos. O jornalista e fotógrafo Marcelo Alonso, que acompanhou a geração de Rickson de perto, acha que a frase só funciona quando alguém apaga as datas.
“Tenho visto uns cortes bem polêmicos, que só estão ocorrendo porque as pessoas não entendem a ordem temporal das coisas”, disse, em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica.
O Rickson em formação
Para explicar, Alonso mostrou uma foto de Roger Gracie ainda de faixa-azul e fez a comparação. Ninguém usaria os treinos daquela época para diminuir o dez vezes campeão mundial. “A mesma coisa o Rickson. Nos anos 80 ele estava em desenvolvimento. O Rolls era o número um da família”, afirmou, citando Rolls Gracie.
O jornalista lembra da primeira luta contra o Rei Zulu, em 1980, em Brasília, quando Rickson ainda era magro e estava longe do lutador que viria a ser. “Nessa época, em que ele ainda era marrom, tinha gente, óbvio, que pegava ele. Ele levava desvantagem nos treinos”, disse.
O Rickson que não tinha segundo lugar
A segunda fase começa, na conta de Alonso, com a revanche contra Zulu. “A partir da segunda luta com o Zulu, aí é outro Rickson. É o Rickson faixa-preta, que já entrava nas competições e o pessoal fazia contagem regressiva”, contou.
O período que ele delimita vai de 1984 a 1995. “Incontestavelmente o maior nome do Jiu-Jitsu e da família Gracie”, afirmou. Quando Alonso começou a cobrir o esporte, no início dos anos 1990, não havia discussão. “Não tinha segundo e terceiro. Um, dois e três era o Rickson.”
Ele diz que nenhum ídolo atual ocupa o mesmo espaço, porque hoje o público se divide entre vários nomes. “Era o Pelé da parada”, resumiu.
Jiu-Jitsu é uma coisa, MMA é outra
Alonso faz ainda uma segunda separação, que os cortes também costumam ignorar. “O Rickson do Jiu-Jitsu e o Rickson do MMA são coisas distintas. O MMA é um esporte complexo, completo”, disse. Para ele, julgar o lutador exige dizer de qual das duas carreiras se está falando.
A capa da piscina
A dimensão de Rickson naquele período aparece em uma história de bastidor. Durante um Pan-Americano na Califórnia, as duas revistas brasileiras de luta conseguiram uma manhã na casa dele, cada uma com um horário. A Tatame ficou com o segundo, e Alonso percebeu que a luz do meio-dia estragaria a foto que tinha na cabeça.
Ele esticou a conversa enquanto esperava o sol baixar. Nesse intervalo, a campainha tocou e Rickson, que ia para o banho, pediu que ele atendesse. Na porta estava um menino canadense de 8 anos, com a mãe, que tinha viajado para ter uma aula particular. “Tremendo”, lembrou o jornalista.
A foto saiu depois, com Rickson dentro da piscina e a água na altura que Alonso queria. “Passei uma hora com o Rickson ali. Fiz umas 20 dessa até a água ficar onde eu queria”, contou. A edição, com o título “No templo do samurai” e uma entrevista em que o lutador dizia não se impressionar com Mark Coleman, que vinha vencendo no UFC, foi uma das mais vendidas da história da publicação.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Marcelo Alonso está no canal da VF Comunica no YouTube.
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