Por que as grandes lutas do Jiu-Jitsu não saem? Fepa Lopes responde: “A galera não quer se enfrentar”
Presidente do BJJ Stars diz à VF Comunica que o dinheiro quase nunca é o motivo e explica como os contratos de exclusividade dificultam saber quem é o número um

Todo fã de Jiu-Jitsu tem uma lista de lutas que gostaria de ver e que nunca são anunciadas. A explicação mais repetida é a falta de dinheiro. Fepa Lopes, presidente do BJJ Stars e organizador de lutas casadas desde 2002, diz que o motivo costuma ser outro. Vitor Freitas perguntou a ele, na VF Comunica, qual é hoje a maior dificuldade para fechar um grande combate.
“Isso é uma coisa que até me admira. A galera não quer se enfrentar”, respondeu. “São poucos os atletas que falam: ‘Eu luto com qualquer um’.”
A conversa que não chega no valor
Fepa descreve como a negativa costuma aparecer. Ela vem antes de qualquer proposta financeira, na primeira consulta, em forma de agenda cheia. Um seminário marcado, um pedido para ver outra data. “Você começa a entender que não quer”, disse.
Por isso ele rejeita a tese do dinheiro. “Eu não posso falar que é dinheiro, porque muitas vezes não chega nem nessa parte”, afirmou. Quando a negociação avança até o valor e não fecha, diz ele, o motivo é claro e aceitável. “Nunca foi o problema. Isso eu posso te garantir.”
O dirigente fez questão de registrar que estava generalizando e que muitos atletas aceitam qualquer desafio. O problema, segundo ele, se concentra justamente nas lutas mais pedidas. “Aquelas lutas que todo mundo quer ver se tornam difíceis de acontecer porque um lado não tem interesse”, disse.
O exemplo do outro lado
Para mostrar que existe outro jeito de pensar a carreira, Fepa citou Mica Galvão. “O cara entra para lutar, ele dá show. Ganhando ou perdendo, ele dá show”, afirmou.
O que mais o impressiona é o critério do manauara para aceitar um adversário. “Sempre que eu tento trazer ele para lutar um BJJ Stars, é totalmente ao contrário do que eu escuto de muita gente. Se não for um cara que seja muito brabo, ele não quer”, contou. “Tem que ser um cara que esteja muito em ascensão. Pode ser de peso diferente, pode ser cara que tenha título que ele não tenha. Essas coisas motivam ele a lutar.”
Exclusividade e o campeão de cada casa
O segundo obstáculo é contratual. Com organizações diferentes assinando acordos de exclusividade, atletas do mesmo peso passam a lutar em circuitos que não se cruzam. “Lutas que todo mundo quer ver, a gente não vai ter facilidade de ver, a não ser que uma das organizações consiga trazer o outro”, disse Fepa.
Ele afirma que a maioria dos lutadores com quem conversa prefere não ficar presa a um evento só, e dá um motivo que vai além da bolsa. Para o atleta brasileiro, lutar no Brasil mantém a ligação com o público que compra seus produtos. “Grandes ídolos brasileiros que moram nos Estados Unidos hoje têm menos conexão com o público brasileiro do que os que moram aqui”, observou.
O efeito para o esporte é um quadro repartido. “Acaba ficando um negócio fracionado”, disse. Vitor Freitas completou que fica difícil saber quem é de fato o número um do mundo em cada peso, e Fepa concordou. Na visão dele, a solução seria reunir os campeões de cada organização em um mesmo torneio. “O ideal seria a gente ver um GP com eles para realmente saber quem é o número um.”
A geração que não pede licença
A brecha deixada por quem recusa lutas pode ser ocupada pelos mais novos. Fepa disse acompanhar faixas azul e roxa que já vencem faixas-pretas no sem kimono e chegam com público próprio. “Essa molecada está chegando sem pedir licença, está chegando com o pé na porta”, afirmou.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Fepa Lopes está no canal da VF Comunica no YouTube.
Qual é a luta que você mais quer ver e que nunca aconteceu? Deixe sua opinião nos comentários.







