Megaton Dias: “Você tem que saber o seu passado para saber seu futuro”
Faixa-coral de 59 anos conta que apresentou quatro campeões a uma namorada da época, e ela não conhecia nenhum; para ele, quem vive do Jiu-Jitsu tem de saber quem veio antes

Megaton Dias tem uma história pronta para explicar por que cobra memória de quem vive do Jiu-Jitsu. Ela se passa em um Pan-Americano, ao lado de uma namorada da época, faixa-azul, vinda de uma academia que ele prefere não citar. Enquanto os dois andavam pelo ginásio, o faixa-coral foi apontando os campeões que cruzavam o caminho.
O primeiro foi Rodrigo Comprido. “Sabe quem é esse cara aqui?”, perguntou. Ela não sabia. “Campeão mundial, lenda”, lembrou Megaton no vlog da VF Comunica. Mais adiante apareceu Márcio “Pé de Pano” Cruz, “campeão mundial, campeão absoluto”, e a resposta se repetiu. Depois vieram Roberto Traven e Roberto “Gordo” Correa. Nenhum dos quatro era conhecido dela.
“Eu falei: ‘Pô, quem que tu conhece?’”, contou.
Quatro nomes da história dos Mundiais
A lista que Megaton apontou naquele ginásio reúne parte da história do esporte. Comprido foi campeão mundial absoluto em 1999 e 2000. Pé de Pano levou o absoluto em 2002 e 2003. Traven foi bicampeão mundial, em 1998 e 1999, e campeão absoluto do ADCC em 1999. Gordo, campeão mundial em 1996, é apontado como o responsável por transformar a meia-guarda em arma de ataque.
“Saber da onde que você vem para saber para onde que você vai”
Foi a partir dessa cena que Megaton chegou à frase que resume o que pensa. “Você tem que saber o seu passado para saber seu futuro. Saber da onde que você vem para saber para onde que você vai”, disse.
O faixa-coral de 59 anos garante que faz o caminho nos dois sentidos. Quando perguntou quem a namorada conhecia, ouviu nomes mais recentes, como Miyao e Mendes. “Eu sei a galera da antiga e sei a galera da nova”, afirmou. E não livrou a faixa-azul da cobrança: “É minha geração, é minha época, tudo mais. Não é dela, mas é o trabalho dela de saber quem que é quem”.
O respeito a quem veio antes
O hábito de procurar os veteranos acompanha Megaton onde quer que ele compita. No Brasil ou em qualquer outro campeonato, conta, ele entra no ginásio e vai atrás da “galera antiga”. “Vou pagar meu respeito”, disse. “Sem esses caras, a gente não estava aqui.”
Megaton fala com a autoridade de quem estava lá. Faixa-preta de Royler Gracie, formado na Gracie Humaitá, ele se mudou para o Arizona no fim dos anos 1980, foi vice-campeão do primeiro Mundial da IBJJF, em 1996, e voltou a disputar o Mundial entre os adultos em 2026. É com o mesmo argumento que ele pede um lugar no Hall da Fama do Jiu-Jitsu.
Vídeo completo no YouTube
A história está no vlog “Um dia com Megaton Dias, lenda do Jiu-Jitsu”, gravado na academia dele em Phoenix e disponível no canal da VF Comunica no YouTube.
E você, reconheceria os quatro andando pelo ginásio? Deixe sua opinião nos comentários.







