Jacaré x Roger, 2004: por que ele não bateu no armlock — “Eu queria ser o melhor do mundo”
Em conversa com a VF Comunica na pirâmide de Long Beach, Ronaldo Jacaré relembra a final do absoluto do Mundial e explica a decisão que entrou para a história do Jiu-Jitsu

Vinte e dois anos depois, a final do absoluto do Mundial de 2004 ainda é uma das lutas mais revistas do Jiu-Jitsu. Ronaldo Jacaré vencia Roger Gracie nos pontos quando caiu em um armlock, teve o braço esticado e mesmo assim se recusou a bater. Segurou até o fim do tempo e saiu do Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro, como campeão absoluto.
Em junho, durante o Mundial de 2026, na pirâmide de Long Beach, na Califórnia, a VF Comunica perguntou a Jacaré o que o fez resistir naquela posição. A resposta começa pela vida que ele levava na época. “Eu só tinha o Jiu-Jitsu. Eu treinava o dia todo, eu queria ser o melhor”, disse.
O instante em que Roger pegou o braço
Jacaré contou que o golpe entrou em um segundo de distração. Ele ia aos Mundiais sem treinador fixo no córner e, naquela final, quem o orientava do lado de fora eram amigos como Léo Vieira e Rodrigo Comprido. Com a vantagem no placar e dentro da guarda fechada de Roger, ele quis saber quanto faltava para acabar.
“Eu estava olhando, querendo saber o tempo. Quando eu fui olhar para perguntar o tempo, ele passou a perna e pegou meu braço”, relembrou.
“Cara, não vou bater, não”
O que veio depois foi uma decisão tomada com o braço preso. “Eu estava ganhando, eu queria ser o melhor do mundo. Eu falei: ‘Cara, não vou bater, não’. E aconteceu o que aconteceu, e nós ganhamos”, afirmou.
A recusa em bater virou uma das cenas mais conhecidas da história do esporte. Roger, que naquele dia ficou com a prata, se tornaria depois dez vezes campeão mundial na faixa-preta, três delas no absoluto.
O título que pouca gente lembra
Jacaré aproveitou para lembrar que a história não parou em 2004. “Eu lutei dois anos e ganhei. Ganhei o Mundial absoluto dois anos seguidos. E isso para mim representa muito, porque meu nome está ali”, disse, apontando para o telão do ginásio, que exibia os nomes dos campeões absolutos do torneio.
Ele fez a conta dos próprios títulos ali mesmo. “Um ano não consegui lutar a final da minha categoria, então passa três vezes. Trimundial”, resumiu. Hoje, Jacaré vive o Mundial do outro lado: em 2026, estava no ginásio para acompanhar os alunos da escola que comanda.
Vídeo completo no YouTube
A conversa com Ronaldo Jacaré está no vlog “Mica vai retornar e Jacaré fala de Roger”, gravado no Mundial de 2026 e disponível no canal da VF Comunica no YouTube.
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