Gabi Pessanha e o que ficou para trás aos 14 anos: “Será que isso vai dar certo mesmo?”
Maior campeã do Jiu-Jitsu feminino conta à VF Comunica as dúvidas que tinha na adolescência, na Cidade de Deus, e a meta que ainda a move: passar Buchecha

Quem vê Gabi Pessanha empilhar títulos mundiais costuma resumir a carreira dela em uma frase: é braba, ganha tudo. A própria Gabi conhece o comentário e discorda da parte que fica subentendida, a de que foi fácil. Às vésperas do Mundial de 2026, na pirâmide de Long Beach, ela contou à VF Comunica o que a menina da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, pensava quando o resultado ainda não existia.
“Eu estou perdendo minha infância”
A lembrança dela começa na adolescência. “Quando eu tinha 14 para 15 anos, eu me questionava muito, porque meus amigos estavam saindo para festa, às vezes até mesmo em horário de treino, iam para cinema. E eu deixava de fazer isso tudo porque eu tinha que estar 100% focada no treino”, disse.
A renúncia tinha um peso que ela não esconde. “Isso me doía muito, porque eu ficava: cara, eu estou perdendo minha infância, será que isso vai dar certo mesmo?”, contou.
Uma década depois, a resposta chegou em forma de carreira. “Hoje eu vejo tudo que eu estou vivendo, tudo através do Jiu-Jitsu”, afirmou. É por isso que ela rebate a ideia de sucesso instantâneo. “A galera acha que é fácil: ‘Ah, a Gabi é braba, ganha tudo’. Acha que foi do dia para a noite. Pelo contrário, foram muitos anos de muita dedicação, abrir mão, choro, lágrima, vontade de parar.”
A meta: passar Buchecha
Naquele dia, Gabi tinha dez títulos mundiais na faixa-preta. Saiu do torneio com 12, depois de vencer o peso e o absoluto. A conta importa porque ela não esconde quem quer alcançar.
“Meu sonho principal era ser uma vez campeã mundial na preta. Agora eu sou dez”, disse. “Conforme tu vai crescendo, amadurecendo, a motivação vai aumentando. E minha motivação maior hoje é passar o Buchecha.” Marcus “Buchecha” Almeida é o recordista do torneio, com 13 títulos.
Perguntada se a chance de se tornar a maior campeã da história mexe com ela, Gabi respondeu sem rodeios. “Mexer não mexe, não, mas dá uma motivação. Eu sou muito competitiva. Eu quero ser melhor do que eu fui na competição anterior.”
O frio na barriga que não passa
Tantos títulos não tiraram o nervosismo. Gabi contou que, mesmo depois de vencer o Mundial várias vezes, ainda passa mal antes de lutar. Ela já levou a queixa ao professor, Márcio de Deus, e ouviu uma resposta que guardou: “O dia que tu parar de sentir isso, tu pode se aposentar”.
Ela diz que cada edição parece a primeira. “Por mais que eu já tenha ganhado dez vezes, cada ano é diferente. Parece que é o meu primeiro Mundial na preta”, afirmou.
Vídeo completo no YouTube
A conversa com Gabi Pessanha está no vlog do segundo dia do Mundial de 2026, no canal da VF Comunica no YouTube.
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