
Competir entre os faixas-pretas nos principais campeonatos internacionais de Jiu-Jitsu exige mais do que chegar ao alto nível. Permanecer nele por anos é outro desafio. E é justamente na consistência que Rodrigo Alexandre Fujita, 43 anos, vem construindo sua trajetória como atleta.
Com uma carreira iniciada no Japão em 2008, Fujita atravessou diferentes gerações do esporte, competiu em três países e levou sua trajetória até os grandes campeonatos da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF).
Hoje faixa-preta, o brasileiro tem entre seus principais resultados três pódios consecutivos no World Master da IBJJF, entre 2023 e 2025, além de resultado de destaque no Pan-Americano No-Gi e dezenas de medalhas conquistadas ao longo de sua trajetória competitiva.
A sequência no World Master chama atenção principalmente pela regularidade. O campeonato reúne anualmente faixas-pretas experientes de diferentes partes do mundo, tornando cada campanha uma disputa contra atletas com extensa bagagem competitiva.
Para Fujita, porém, chegar a esse cenário foi resultado de uma construção que começou quase duas décadas antes.

O começo no Japão
Descendente de japoneses, Fujita mudou-se com familiares para o Japão em busca de melhores oportunidades. Morando na província de Gunma, conheceu o Jiu-Jitsu em 2008 depois de ser provocado por um amigo que havia começado a treinar. O amigo prometeu que conseguiria imobilizá-lo. Cumpriu a promessa.
“Foi como se ele tivesse um superpoder. Aquilo me fez querer aprender”, relembra Fujita, que treina Jiu-Jitsu há 25 anos.
O início como competidor não indicava necessariamente o que viria depois. Fujita conta que permaneceu aproximadamente três anos e meio na faixa-branca e levou cerca de dois anos competindo regularmente até conquistar sua primeira medalha de ouro.
“Eu era muito ruim, mas tinha constância. Não desistia”, conta.
Essa insistência começou a produzir resultados. Ainda na faixa-azul, Fujita passou a conquistar espaço no circuito japonês, incluindo títulos no All Japan e na Rickson Cup. As conquistas vieram justamente antes de seu retorno ao Brasil.
“Os dois títulos foram importantes para eu saber que tinha nível para competir e continuar evoluindo. Eles me deram mais confiança, porque logo depois da Rickson Cup eu voltaria para o Brasil e já esperava encontrar um nível maior.”

Do circuito paulista ao cenário internacional
No Brasil, Fujita deu continuidade à carreira competitiva. Em São Paulo, passou por competições estaduais e conquistou resultados como o título do *Circuito Paulista em 2023, além do vice-campeonato no *GP Master da Federação Paulista.
Mas seria nos Estados Unidos que o faixa-preta alcançaria alguns dos resultados mais relevantes de sua carreira. Em 2023, Fujita chegou ao pódio do World Master da IBJJF, competindo entre os faixas-pretas. O resultado não seria isolado.
Ele voltou ao pódio em 2024 e repetiu o feito novamente em 2025, completando três anos consecutivos entre os medalhistas do campeonato. No período, Fujita também disputou outros eventos importantes do calendário da IBJJF, incluindo o Pan-Americano e o Pan-Americano No-Gi.
Entre todas as medalhas, ele considera o primeiro pódio mundial um ponto de transformação na carreira.
“Minha primeira medalha no Mundial acredito que foi a mais importante para minha carreira. Ela me abriu portas, me colocou em lugares onde nunca imaginei estar e me trouxe um sentimento diferente: valeu a pena.”

Competindo depois dos 40
Existe ainda outro elemento que ajuda a explicar a trajetória de Fujita como competidor: seus principais resultados internacionais não aconteceram no começo da carreira.
Mesmo depois dos 40 anos, o faixa-preta continua mantendo uma rotina competitiva e buscando espaço em campeonatos internacionais.
“Sempre fui consistente e nunca desisti de um dia poder ser campeão mundial. Meu tempo não foi na juventude”, afirma.
Para Fujita, continuar entrando nas áreas de competição também se tornou uma forma de mostrar aos atletas ao seu redor que cada carreira possui seu próprio tempo.
“Não consegui quando mais novo, mas continuo tentando com mais de 40 anos, com o objetivo de mostrar aos meus companheiros e alunos que é possível construir sua própria jornada.”
A trajetória competitiva também recebeu reconhecimento em Santo André, cidade paulista com a qual Fujita mantém sua ligação. O atleta foi homenageado publicamente por suas conquistas esportivas, levando para fora dos tatames o reconhecimento pelos resultados construídos ao longo da carreira.
Uma trajetória construída pela constância
Do jovem que precisou de aproximadamente dois anos para conquistar sua primeira medalha de ouro ao faixa-preta que chegou três vezes consecutivas ao pódio do World Master, existe uma característica que acompanha Rodrigo Fujita desde o Japão: continuar competindo.
Quase duas décadas depois de vestir o kimono pela primeira vez, ele permanece colocando sua carreira à prova em campeonatos internacionais da IBJJF e perseguindo o resultado que ainda falta em sua coleção. O título mundial.
“Os aplausos mais importantes já estão sendo feitos por aqueles que amamos. Basta acreditarmos e prosseguirmos”, resume.
