Cobrinha explica o que é “amar o processo” e mostra a lista que confere antes de lutar
Membro do Hall da Fama da IBJJF, Rubens “Cobrinha” Charles conta à VF Comunica por que não comemorou o título mundial de 2006 e o que diz ao atleta que vai entrar em uma final

“Amar o processo” virou frase de camiseta no Jiu-Jitsu, repetida por muita gente que nunca explicou o que ela quer dizer. Rubens “Cobrinha” Charles, membro do Hall da Fama da IBJJF e hoje professor de uma nova geração de campeões, deu a definição dele à VF Comunica durante o Mundial de 2026, na pirâmide de Long Beach.
“O que é amar o processo? Independente do resultado, você vai estar no outro dia fazendo o que tem que ser feito. Ponto”, disse.
Não é só treinar
Para Cobrinha, o processo começa fora do tatame. “Amar o processo é você ter disciplina com a sua dieta. O cara fala assim: ‘Não, é só treinar’. Não, não é só treinar”, afirmou.
Ele contou que alunos costumam rebater com o exemplo de Leandro Lo, oito vezes campeão mundial, lembrado tanto pelo talento quanto pelo jeito leve de levar a vida. A resposta do professor é sempre a mesma. “Para ele está funcionando, segue fazendo, mas não é para todo mundo”, disse. “A disciplina tem que ter.”
O título que ele não comemorou
A pergunta que mais incomoda Cobrinha é a que todo campeão escuta logo depois de vencer: o que você está sentindo neste momento? “Pera aí, neste momento? Não, o momento é de amar o processo. Quantos anos você não vem trabalhando para isso?”, questionou.
Foi assim com ele em 2006, no último Mundial disputado no Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro, o título que ele aponta como o mais especial da carreira. A final foi contra Márcio Feitosa. “Eu amava tanto o processo que, quando eu ganhei, eu nem comemorei. No outro dia eu já estava treinando”, contou.
A lista antes da luta
Quando o assunto é a hora de entrar no tatame, Cobrinha parte de um princípio simples: no alto nível, todo mundo treinou. “É a cabeça do cara”, resumiu. “Não adianta você falar assim: ‘Deus me ajuda’. Não, Deus está ajudando todo mundo.”
O que separa quem vence, para ele, é chegar no dia acreditando no trabalho que foi feito. E essa confiança se constrói com uma conferência que ele repassa com os atletas:
- Treinei?
- Fiz minha dieta?
- Fiz minha leitura?
- Estudei meus oponentes?
“Tem um checklist que a gente faz. Isso vai te ajudar também”, explicou. “É importante o cara chegar no dia e acreditar.”
“Todo mundo fica nervoso”
Cobrinha também desmonta a ideia do campeão que não sente nada. “Todo mundo fica nervoso. Se o cara falar para você: ‘Não, eu estou entrando ali, não fico nervoso’, ele está mentindo”, disse. “Agora, se o cara souber controlar o nervosismo no dia, o cara leva isso para um outro nível.”
Vídeo completo no YouTube
A conversa com Cobrinha está no vlog do segundo dia do Mundial de 2026, no canal da VF Comunica no YouTube.
O que entra na sua lista antes de competir? Deixe sua opinião nos comentários.







