Alice Pereira vence ranqueada no UFC e avisa: “Minha categoria tá mais viva do que nunca”
Lutadora mais jovem do UFC, baiana de 20 anos parou a russa Daria Zhelezniakova em Las Vegas, ganhou o segundo bônus seguido e respondeu a quem critica o peso-galo feminino

Alice Pereira tem 20 anos, é a lutadora mais jovem do UFC e saiu de Las Vegas no sábado (10) com uma vitória sobre uma adversária do ranking. A baiana de Feira de Santana venceu a russa Daria Zhelezniakova, número 15 do peso-galo, por nocaute técnico ao fim do primeiro round, no UFC Fight Night disputado no Meta Apex, e recebeu um dos quatro bônus de 100 mil dólares da noite. Com o microfone na mão, ainda no octógono, mandou um recado a quem critica a categoria: “Minha categoria tá mais viva do que nunca, porque eu tô aqui”.
A luta durou cinco minutos. Alice começou trocando golpes em pé, encurtou a distância, acertou joelhadas no corpo e levou a russa para o chão. Caiu na meia-guarda, passou para a montada, chegou a pegar as costas e voltou a montar. Nos segundos finais, uma sequência de socos e cotoveladas abriu um corte profundo na cabeça de Zhelezniakova. No intervalo, depois de ser examinada pelo médico, a russa disse ao árbitro que não queria continuar. O resultado oficial foi nocaute técnico por interrupção médica, aos 5min do primeiro round.
Uma trocadora que venceu no chão
O caminho da vitória chamou atenção porque fugiu do que Alice tinha mostrado até aqui. Ela é faixa-preta de kickboxing e, segundo as estatísticas oficiais do UFC, não tinha completado nenhuma queda em três tentativas nas duas primeiras lutas pela organização. Dos 69 golpes significativos que acertou nesses combates, 62 foram em pé.
O chão, porém, já fazia parte do repertório. A brasileira é faixa-azul de Jiu-Jitsu e, ainda amadora, foi campeã da Copa Brasil Nordeste no peso e no absoluto, de acordo com o perfil dela no site do UFC. Na entrevista a Michael Bisping, contou que a equipe sabia que a trocação dela podia ser superior, mas que a adversária tem golpes retos muito bons, e que por isso resolveu mostrar outra parte do jogo. “O plano foi exatamente o que vocês viram”, afirmou. “Vocês não viram ainda nem metade do que eu posso fazer.”
O recado à imprensa
Antes de devolver o microfone, Alice avisou que tinha um recado para todos os jornalistas. “Tomem cuidado com o que vocês falam. Minha categoria tá mais viva do que nunca, porque eu tô aqui”, disse. E completou: “Fiquem quietinhos que eu tô aqui”.
O alvo é a fama do peso-galo feminino. A divisão, que tem a americana Kayla Harrison como campeã, é a que reúne menos lutadoras em atividade no UFC, segundo o site MMA Junkie, e foi aos críticos dela que a brasileira se dirigiu. O ranking tem brasileiras como Norma Dumont (5ª), Luana Santos (7ª), Karol Rosa (10ª) e Bia Mesquita (11ª), campeã mundial de Jiu-Jitsu. Zhelezniakova aparecia na 15ª posição da lista divulgada pelo UFC antes do evento.
Dois bônus em três lutas
Alice começou a treinar em 2022, estreou como profissional em 2023 e, antes de lutar, trabalhava limpando os equipamentos de uma academia. Chegou ao UFC aos 19 anos e perdeu na estreia, em setembro de 2025, por decisão dividida para a mexicana Montserrat Rendon. Em abril deste ano, nocauteou a americana Hailey Cowan com uma joelhada no segundo round e levou o primeiro bônus. O de sábado foi o segundo seguido. O cartel agora é de oito vitórias e uma derrota. Ela representa a Life MMA e a Portugal Top Team e tem Charles do Bronx como ídolo.
Os outros três bônus da noite ficaram com Brendan Allen, Andre Fili e Otari Tanzilovi. A VF Comunica contou como Allen finalizou Christian Leroy Duncan na luta principal e como foi a noite dos outros brasileiros.
Depois de vencer uma ranqueada, Alice Pereira já merece enfrentar um nome entre as dez primeiras do peso-galo? Deixe sua opinião nos comentários.







