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segunda-feira, 12 de outubro de 2026 12 out 2026
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Cobrinha explica o que é “amar o processo” e mostra a lista que confere antes de lutar

Membro do Hall da Fama da IBJJF, Rubens “Cobrinha” Charles conta à VF Comunica por que não comemorou o título mundial de 2006 e o que diz ao atleta que vai entrar em uma final

Cobrinha de kimono, no retrato do Hall da Fama da IBJJF
Rubens “Cobrinha” Charles, membro do Hall da Fama da IBJJF. Foto: IBJJF
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“Amar o processo” virou frase de camiseta no Jiu-Jitsu, repetida por muita gente que nunca explicou o que ela quer dizer. Rubens “Cobrinha” Charles, membro do Hall da Fama da IBJJF e hoje professor de uma nova geração de campeões, deu a definição dele à VF Comunica durante o Mundial de 2026, na pirâmide de Long Beach.

“O que é amar o processo? Independente do resultado, você vai estar no outro dia fazendo o que tem que ser feito. Ponto”, disse.

Não é só treinar

Para Cobrinha, o processo começa fora do tatame. “Amar o processo é você ter disciplina com a sua dieta. O cara fala assim: ‘Não, é só treinar’. Não, não é só treinar”, afirmou.

Ele contou que alunos costumam rebater com o exemplo de Leandro Lo, oito vezes campeão mundial, lembrado tanto pelo talento quanto pelo jeito leve de levar a vida. A resposta do professor é sempre a mesma. “Para ele está funcionando, segue fazendo, mas não é para todo mundo”, disse. “A disciplina tem que ter.”

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O título que ele não comemorou

A pergunta que mais incomoda Cobrinha é a que todo campeão escuta logo depois de vencer: o que você está sentindo neste momento? “Pera aí, neste momento? Não, o momento é de amar o processo. Quantos anos você não vem trabalhando para isso?”, questionou.

Foi assim com ele em 2006, no último Mundial disputado no Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro, o título que ele aponta como o mais especial da carreira. A final foi contra Márcio Feitosa. “Eu amava tanto o processo que, quando eu ganhei, eu nem comemorei. No outro dia eu já estava treinando”, contou.

A lista antes da luta

Quando o assunto é a hora de entrar no tatame, Cobrinha parte de um princípio simples: no alto nível, todo mundo treinou. “É a cabeça do cara”, resumiu. “Não adianta você falar assim: ‘Deus me ajuda’. Não, Deus está ajudando todo mundo.”

O que separa quem vence, para ele, é chegar no dia acreditando no trabalho que foi feito. E essa confiança se constrói com uma conferência que ele repassa com os atletas:

  • Treinei?
  • Fiz minha dieta?
  • Fiz minha leitura?
  • Estudei meus oponentes?

“Tem um checklist que a gente faz. Isso vai te ajudar também”, explicou. “É importante o cara chegar no dia e acreditar.”

“Todo mundo fica nervoso”

Cobrinha também desmonta a ideia do campeão que não sente nada. “Todo mundo fica nervoso. Se o cara falar para você: ‘Não, eu estou entrando ali, não fico nervoso’, ele está mentindo”, disse. “Agora, se o cara souber controlar o nervosismo no dia, o cara leva isso para um outro nível.”

Vídeo completo no YouTube

A conversa com Cobrinha está no vlog do segundo dia do Mundial de 2026, no canal da VF Comunica no YouTube.

O que entra na sua lista antes de competir? Deixe sua opinião nos comentários.

Vitor Freitas
Escrito por Vitor Freitas

Vitor Freitas é jornalista e cobre o Jiu-Jitsu há mais de 15 anos, com entrevistas, reportagens e presença nos principais eventos do Jiu-Jitsu ao redor do mundo. Em 2022, criou a VF Comunica.

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