Viver de Jiu-Jitsu nos Estados Unidos: os dois mitos, segundo Michele Freitas
Faixa-preta, enfermeira e sócia de uma academia com mais de 500 alunos na Califórnia, ela conta à VF Comunica o que quase ninguém enxerga antes de se mudar

Abrir uma academia nos Estados Unidos e viver do Jiu-Jitsu virou plano de carreira para muito faixa-preta brasileiro. Michele Freitas fez esse caminho há cerca de 16 anos e hoje divide com o marido, o professor Rodrigo Freitas, o comando da Inspirit Academy, em Redondo Beach, na Califórnia, com mais de 500 alunos. Em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica, ela escolheu os dois mitos que mais ouve de quem está pensando em fazer a mesma mudança.
Mito 1: chegar e dar certo
O primeiro engano, para Michele, é imaginar que o sucesso vem com a passagem. “Um dos mitos que eu acho é você achar que vai chegar aqui e vai ser bem-sucedido naturalmente. O rala é outro, o trabalho é mais pesado”, disse. “Aqui eu falo que é a terra dos fortes. Nos Estados Unidos só fica quem aguenta o batidão mesmo.”
Parte do peso está fora do tatame. Ela lembra que a maioria se muda sem a família e sem a rede de apoio que tinha no Brasil, e passa a cuidar sozinha da casa, da comida e de tudo o mais, além do trabalho. “Essa liberdade financeira vem com alto custo”, afirmou.
Michele fala por experiência. Enfermeira formada, com emprego em hospital no Brasil, ela precisou recomeçar. “Essa é uma ilusão das pessoas quando se mudam para os Estados Unidos, de achar que você vai chegar aqui no mesmo nível em que estava no Brasil”, contou. “Eu fui trabalhar como babá, fui trabalhar como bartender, fiz o que tinha que ser feito para continuar.”
Mito 2: é só abrir uma academia
O segundo mito aparece quando alguém olha para um negócio pronto. “As pessoas às vezes veem você com academia: ‘Ah, não, é só abrir uma academia, ter um professor e vai bombar e vai dar certo’. E é um mito, porque tem muita coisa por trás dos bastidores”, disse.
Na Inspirit, esses bastidores incluem os dois sócios fazendo de tudo. Segundo ela, se precisar limpar, dar aula ou cuidar da recepção, o casal faz. Michele também defende que a academia só cresce quando o professor investe em comunicação e em mostrar o próprio trabalho, um assunto que ela tratou como diretora de marketing da escola.
Medalha sozinha não paga as contas
A conversa chegou a outro ponto sensível para quem compete. “Não é só ir lá e ganhar um campeonato e pegar uma medalha que você vai ser bem-sucedido”, afirmou. Ela lembra que só a viagem de quem sai do Brasil para lutar um Pan já custa caro, e que o título, sozinho, raramente volta em dinheiro.
A saída que funcionou para o casal foi organizar as finanças e juntar as duas carreiras. “Se você não tem uma organização financeira, os seus sonhos são muito mais difíceis de ser conquistados”, disse. E completou: “Ser um bom professor, ter uma academia, tem que alinhar com o atleta”.
“Não pule etapas”
O conselho final de Michele para quem acabou de chegar é respeitar o tempo das coisas. “Quando você pula etapas, você perde aprendizados que vêm com as etapas que você vive”, afirmou. Ela usa a própria história como exemplo: validou o diploma de enfermagem, mas demorou a poder trabalhar na área, e hoje entende que o período serviu para ganhar fluência no inglês antes de entrar em um hospital.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Michele Freitas, gravada na Inspirit Academy, está no canal da VF Comunica no YouTube.
Qual desses mitos você mais ouve de quem sonha em viver de Jiu-Jitsu fora do Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.







