Claudia Gadelha diz o que o UFC BJJ não quer ver: “Um concurso de passagem de guarda por 15 minutos”
Presidente da organização afirmou que lutar na guarda é permitido “desde que a guarda seja agressiva” e que o mesmo vale para as chaves de perna; ela explicou como Cássia Moura venceu sem atravessar a guarda de Adele Fornarino

A decisão dividida que deu a Cássia Moura o segundo cinturão do UFC BJJ levantou uma dúvida na coletiva do UFC BJJ 12: lutar por baixo, na guarda, virou mau negócio na organização? A presidente Claudia Gadelha respondeu que não, mas deixou claro o tipo de luta que o evento não quer ver.
“Acho o jogo de guarda lindo. É muito técnico e faz parte do Jiu-Jitsu”, disse Gadelha, em inglês, na quinta-feira (8), em Las Vegas. “Acho que você pode jogar na guarda, desde que a sua guarda seja agressiva e você esteja buscando a finalização o tempo todo. A mesma coisa vale para as chaves de perna, certo?”
“Não é muito empolgante”
Em seguida, ela descreveu o cenário que a organização tenta evitar. “O que não queremos ver é uma luta de Jiu-Jitsu virar um concurso de passagem de guarda, com quem está por cima tentando passar e quem está por baixo só não deixando passar. Isso a gente não quer ver, porque não é muito empolgante”, afirmou.
“Quando olhamos para a técnica e para a beleza do Jiu-Jitsu, queremos ver mais do esporte. Queremos ver quedas, queremos ver passagens de guarda, mas não um concurso de passagem de guarda por 15 minutos”, completou. Quinze minutos é o tempo total de uma luta no UFC BJJ, com três rounds de cinco.
Como Cássia lidou com a guarda de Adele
Gadelha usou a luta principal como exemplo. Adele Fornarino passou boa parte do combate por baixo, atacando as pernas da brasileira, e encaixou uma chave de calcanhar no fim do primeiro round. Cássia venceu por decisão dividida.
“Na forma como os juízes viram a luta, a Cássia, em vez de tentar passar por dentro da guarda K da Adele, se soltava para passar por fora, porque essa é, na verdade, a única maneira de passar aquela guarda. A Adele é muito boa nessa guarda K. É quase impossível passar. Assisti a muitas lutas dela, contra a Ffion, contra a Bia Mesquita, e é muito difícil passar”, disse a dirigente.
Para ela, a brasileira chegou preparada. “Acho que a Cássia fez o dever de casa, assistiu a todas as lutas da Adele e conseguiu montar uma estratégia em que se soltava e dava a volta, em vez de ir por dentro”, afirmou. Na mesma coletiva, Cássia contou que o plano era pressionar para cansar a australiana e disse que a adversária esperava que ela se mexesse para atacar.
O assunto não é novo
Foi a segunda vez em poucas semanas que Gadelha falou sobre o estilo de luta que quer no evento. Duas semanas antes do UFC BJJ 12, ela disse que se arrastar sentado e chave de perna são “chatos demais”. No evento, quatro das cinco finalizações do UFC BJJ 12 foram chaves de perna, todas no primeiro round.
Na coletiva, a dirigente colocou as duas coisas na mesma regra: guarda e chave de perna são bem-vindas quando vêm com ataque. Ela também defendeu uma revanche entre Cássia e Adele.
O UFC BJJ está certo em cobrar uma guarda mais agressiva? Deixe sua opinião nos comentários.







