
Pouco mais de duas semanas depois de se tornar o primeiro sueco a subir ao pódio do ADCC, Marlon Tajik contou uma parte da própria história que pouca gente conhecia. Em entrevista ao podcast Jits and Giggles, o vice-campeão da categoria até 88kg revelou que, aos 14 anos, alterou a própria idade no sistema de inscrições para enfrentar adversários mais velhos e acabou suspenso por um ano das competições na Suécia.
Faixa azul na cintura e dois anos a mais no cadastro
Tajik começou no jiu-jitsu tradicional japonês aos sete anos e migrou para o jiu-jitsu brasileiro por volta dos 11. Aos 14, segundo ele, já não encontrava desafio na própria faixa etária: viajava até seis horas de carro para os torneios e acabava enfrentando, e vencendo, sempre os mesmos garotos. A saída, combinada com o pai, foi se inscrever no juvenil, contra atletas de 16 e 17 anos.
Para isso, ele precisou de dois ajustes. Ainda faixa verde, passou a competir de faixa azul. Depois entrou no Smoothcomp, plataforma usada na inscrição dos campeonatos, e trocou o ano de nascimento de 2003 para 2001. “Mudei minha idade para 2001, então eu tinha 16 anos”, contou.
O plano funcionou durante uma temporada inteira. Tajik relata que venceu todos os campeonatos que disputou naquele ano e que, por já ser conhecido dos organizadores, nem tinha o documento conferido na pesagem.
A denúncia e a punição
O problema apareceu quando ele começou a cruzar com ex-companheiros de treino nas chaves. Reconhecido, foi denunciado à federação sueca. No último torneio antes da punição, admitiu o que tinha feito e ainda pôde lutar naquele dia, já de volta à faixa verde. Saiu de lá com um ano de suspensão das competições no país e o aviso de que uma reincidência significaria banimento definitivo.
O ano longe dos campeonatos
Sem competição no horizonte, o adolescente se afastou do tatame. Tajik conta que trocou os treinos pelo videogame e pelos amigos, e que chegava a se esconder do professor para não rolar. A virada veio cerca de duas semanas antes do Swedish Open, depois de uma discussão dura com o pai, que o inscreveu no adulto, uma categoria de peso acima da dos amigos.
Fora de forma, ele diz que passou mal em quase todos os treinos até o dia do evento. Mesmo assim, finalizou a primeira luta em cerca de um minuto e meio, venceu a segunda por 27 a 2 e fechou o campeonato com uma finalização pelas costas na final.
Da suspensão ao pódio em Cracóvia
Hoje com 23 anos e faixa-preta graduado por André Galvão, Tajik garantiu a vaga no ADCC 2026 ao vencer a segunda seletiva europeia, em fevereiro, em Belgrado. Em Cracóvia, chegou à final da categoria até 88kg e perdeu para o polonês Pawel Jaworski por uma punição, na primeira decisão entre dois europeus no ADCC desde 1999. Ainda disputou o bronze do absoluto, superado por Ruslan Abdulaev.
A história divide opiniões. De um lado, um garoto que burlou o sistema de inscrição. Do outro, um adolescente que mentiu a idade para pegar lutas mais difíceis, o caminho contrário de quem costuma fraudar categoria. E você, acha que a suspensão de um ano foi justa?
