Makhachev tinha acordo verbal com Prates, diz Dana White
Empresário do brasileiro diz que o campeão saiu do UFC 336 sem dar motivo; Prates afirma: “Ele amarelou”

Dana White confirmou na quarta-feira (4) que Islam Makhachev tinha um acordo verbal para defender o cinturão dos meio-médios contra o brasileiro Carlos Prates no UFC 336, em 30 de janeiro de 2027, em Toronto, no Canadá. “Foi acordado verbalmente”, disse o presidente-executivo do UFC a jornalistas.
Nesta quinta-feira (5), o empresário de Prates, Lucas Lutkus, contou ao site MMA Fighting que o campeão saiu da luta sem explicar o motivo à organização.
O que Dana White disse sobre Makhachev
A luta nunca chegou a ter contrato assinado, como a VF Comunica mostrou quando Makhachev ficou fora do UFC 336. A novidade é Dana dizer em público que havia uma palavra dada.
Dana cobrou mais atividade do campeão. “Sendo campeão, não espero que você lute três vezes por ano, mas duas seria bom”, afirmou. “O que acontece é que a categoria fica parada, porque muita gente quer disputar o cinturão.”
Depois, arriscou uma explicação para a decisão. “Acho que é dinheiro”, disse. “Quando o cara é jovem e tem fome, quer lutar muito porque quer receber. Quando já tem dinheiro suficiente, não precisa lutar o tempo todo.” Em seguida, ponderou: “E, para ser justo com o Islam, veja o que ele já conquistou.”
Essa é a leitura de Dana. Em público, o russo deu outra razão: em entrevista ao perfil Pound4Padel, em outubro, explicou que recusou Prates porque o brasileiro perdeu para Ian Garry, adversário que ele já venceu.
O telefonema ao empresário de Carlos Prates
Lutkus contou que o plano vinha desde agosto. Em 16 de agosto, Makhachev disse que lutaria antes do Ramadã, que começa em fevereiro. “Mano, a gente tem de lutar antes do Ramadã. Com certeza”, afirmou na ocasião.
O UFC então pediu à equipe de Prates que se preparasse para janeiro, e o brasileiro aceitou na hora.
A mudança chegou em 20 de outubro. “O UFC me ligou e disse: ‘O Islam está fora’”, relatou Lutkus. “Perguntei se era lesão, e disseram que ele não tinha dado motivo. Só tinha dito que não estaria pronto para janeiro.”
“Acho que nem o UFC sabe direito o que aconteceu”, disse. Segundo ele, a empresa ficou um pouco chateada com o campeão. “A três meses da luta, ele volta atrás no que a gente tinha combinado.”
Lutkus, porém, descartou que o motivo seja medo. “Não sou ingênuo de achar que o Islam Makhachev tem medo de lutar com o Carlos Prates, mas alguma coisa fez ele mudar de ideia”, afirmou.
A reação de Carlos Prates a Makhachev
O lutador foi mais duro. Em entrevista ao canal de Laerte Viana, divulgada nesta semana, o paulista da Fighting Nerds lembrou o discurso do campeão. “O Islam diz que quer ser um campeão ativo, que isso e aquilo. Ele amarelou”, disse.
“Estou muito revoltado, e agora é o Michael quem vai pagar”, avisou. Depois, quer “bater o Makhachev umas duas vezes para ele aprender a não ser covarde”. No fim de outubro, na rede X, ele já tinha prometido acabar com o legado do russo.
Como fica o cinturão dos meio-médios
Prates, de 24 vitórias e sete derrotas, enfrenta o equatoriano Michael Morales, invicto em 19 lutas, pelo cinturão interino no UFC 336. O vencedor deve encarar Makhachev, de 29 vitórias e uma derrota, depois do Ramadã.
Lutkus também disse que o novo contrato coloca Prates entre os brasileiros mais bem pagos do UFC, atrás de Alex Poatan Pereira. “Se o Carlos não é o segundo, é o terceiro”, afirmou, ao admitir que não sabe quanto recebe Charles do Bronx.
Makhachev avisou em 30 de outubro que a próxima luta será uma das últimas da carreira. A VF Comunica não encontrou resposta dele às falas de Dana e de Lutkus até a publicação desta reportagem.
Na sua opinião, quem tem razão nessa briga: o campeão, que escolheu a própria data, ou Prates e Dana, que cobram a luta combinada? Deixe seu comentário.
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