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quinta-feira, 22 de outubro de 2026 22 out 2026
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Entrevista exclusiva

Jackson Nagai critica campeão que se aposenta no topo

Campeão mundial e escalado para o The Crown, o atleta da Checkmat disse à VF Comunica que quem para no auge fecha a porta para a nova geração.

Jackson Nagai de kimono azul e faixa-preta
Jackson Nagai. Foto: IBJJF
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Jackson Nagai não gosta de ver campeão mundial pendurar o kimono no auge. Nos bastidores do Mundial Master da IBJJF, em Las Vegas, no começo de setembro, o faixa-preta da Checkmat falou à VF Comunica sobre os atletas que deixam as competições depois de conquistar o título e foi duro na avaliação: “Eu acho muito feio. Eu acho muito desonesto. Assim, é minha opinião.”

Para ele, a aposentadoria no topo quebra uma regra antiga do esporte. “O cara ser campeão mundial e aposentar no topo, eu acho muito errado”, disse.

A coroa tem que passar de mão

Jackson explicou o raciocínio pela própria trajetória de quem sobe na faixa-preta. “Por que que a gente, quando tá chegando, bate num cara que tá saindo, e a gente que tá no topo não vai dar oportunidade de outro cara que tá chegando bater a gente?”, questionou.

Ele citou um nome da nova geração como exemplo. “Tem muito cara novo aí super talentoso. Tarcisio é um, do Marcio André, tem entre outros. Por que não lutar com esse cara? Um dia ele vai me bater, vai chegar com o nome bem mais alto”, disse, falando de Tarcisio Santos.

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A referência dele é a sequência de campeões que marcou a década passada. “Eu acho que tem que passar a coroa, parar de guardar a coroa, igual teve, né? O Leandro Lo pegou do Rômulo Barral, eu acho. Depois o Cainan pegou do Lo. Eu acho isso surreal”, afirmou, lembrando de Leandro Lo e Rômulo Barral.

Seminários e chaves sem campeão

Na leitura de Jackson, o crescimento do Jiu-Jitsu mudou o cálculo de quem chega ao título. “Só que agora o Jiu-Jitsu tá ficando tão grande, com seminário, essas coisas, os caras tão aposentando no topo. Aí eu não quero ser assim, não”, disse.

Ele reconhece que o título mundial hoje abre portas fora do tatame, mas vê um custo para quem vem atrás. “Às vezes eu acho que fecha a porta para uma geração nova. Vai numa chave de Mundial, não tem um campeão mundial na chave, todo mundo saiu”, explicou.

O próprio Mundial adulto deste ano, segundo ele, mostrou o contrário. Jackson foi vice-campeão no peso-leve em Long Beach e citou a presença de Matheus Gabriel como prova de que a categoria foi das mais duras. “Eu acho isso legal porque a galera que tá vindo [pensa]: pô, vou lutar com campeão mundial, entendeu? É, eu acho, esse é o certo.”

Mais três anos no adulto

Nascido no Amazonas e criado no Japão, Jackson começou no Jiu-Jitsu aos 17 anos, recebeu a faixa-preta de Lucas Leite em 2020 e foi campeão mundial e pan-americano em 2024. Ele se considera mais professor do que atleta profissional. “Sempre dei muita aula, sempre me considerei mais professor do que um atleta profissional”, contou.

Mesmo assim, não pensa em parar. “Esse ano fui muito bem no adulto, né? Consegui lutar bem. Então eu acho que mais uns três aninhos aí eu vou ficar no adulto”, disse. O próximo compromisso é o The Crown, em 8 de novembro, em Long Beach, onde está escalado no peso-médio.

Vídeo completo no YouTube

A conversa com Jackson Nagai está no vlog do segundo dia da VF Comunica em Las Vegas, no canal da VF Comunica no YouTube.

O campeão mundial deveria seguir competindo até perder a coroa? Deixe sua opinião nos comentários.

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Murilo Vendramini Lazarini
Escrito por Murilo Vendramini Lazarini

Murilo Vendramini Lazarini é repórter da VF Comunica, criador de conteúdo e faixa-azul de Jiu-Jitsu, unindo sua paixão pelo esporte ao trabalho com comunicação e produção de conteúdo sobre a modalidade. Além das coberturas e entrevistas pela VF Comunica, produz conteúdo sobre o esporte, levando informação, histórias e a vivência do tatame para as redes sociais.

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