Por que todo manauara é bom de armlock? Mica Galvão responde: “A realidade é que eu pego mais é pescoço”
A fama da chave de braço de Manaus atravessa gerações, de Bibiano Fernandes a Mica Galvão. A VF Comunica fez a pergunta a dois faixas-pretas da cidade

Existe uma brincadeira antiga no Jiu-Jitsu segundo a qual quem nasce em Manaus já sai de casa sabendo dar armlock. A lista de exemplos ajuda a manter a fama: Bibiano Fernandes, três vezes campeão mundial, e Mica Galvão, o nome mais conhecido da geração atual, são dois finalizadores de braço formados na cidade.
A VF Comunica levou a pergunta ao próprio Mica, em junho, no New Jersey Open, torneio em que ele voltou a competir e finalizou todas as lutas. Por que todo manauara é bom de chave de braço? Tem algum segredo?
“O braço é o que mais sobra”
Mica começou admitindo o gosto pelo golpe e logo tirou o mistério da história. “Eu sempre fui uma pessoa que gostava de braço, mas eu não tinha essa de escolher”, disse. “O que aparecia pela frente, a gente tentava ir. O braço, às vezes, é o que mais sobra, então a gente não perde oportunidade.”
Em seguida veio a parte que contraria a fama. “Para mim, na estatística, eu tenho mais pescoço do que braço”, afirmou. Para ele, o armlock aparece mais na memória de quem assiste por um motivo simples: “São umas finalizações um pouquinho mais bonitas, a galera gosta mais. Mas a realidade é que eu pego mais é pescoço”.
O próprio torneio serviu de exemplo. A primeira luta de Mica naquele dia terminou em uma guilhotina.
O básico que vem da faixa-branca
A mesma pergunta foi feita em setembro, em Las Vegas, na semana do Mundial Master, a Luquinha, faixa-preta manauara que hoje treina na Califórnia. Ele começou pela resposta que todo mundo dá. “O pessoal fala, né? A água de Manaus é diferenciada”, brincou.
Depois falou sério e apontou para o começo da formação. “Em Manaus, logo no início, quando eu era faixa-branca, era mais armlock da montada, da guarda fechada. Era sempre o básico. O básico que a gente, com o tempo, foi moldando”, contou.
As duas respostas se encontram no mesmo ponto. Nenhum dos dois fala em segredo. Mica descreve um jogo que aproveita o que o adversário oferece, e Luquinha lembra de uma escola que repete os fundamentos desde o primeiro dia.
De onde vem a fama
Manaus revelou campeões em sequência nas últimas três décadas, e muitos deles ficaram conhecidos pelo jogo de ataque. Bibiano, hoje com academia no Canadá, disse à VF Comunica no Mundial de 2026 que a cidade forma lutadores na dificuldade. “Em Manaus, o cara tem que lutar para buscar o que o cara quer”, afirmou.
Vídeo completo no YouTube
A resposta de Mica Galvão está no vlog do New Jersey Open, no canal da VF Comunica no YouTube.
Qual manauara tem o armlock mais bonito do Jiu-Jitsu? Deixe sua opinião nos comentários.







