Fepa Lopes: “O BJJ Stars não dá oportunidade. Quem cria a oportunidade são vocês, atletas”
Presidente do maior evento de lutas casadas do Brasil explica à VF Comunica o que pesa na hora de escalar os lutadores e por que nem todo campeão tem perfil para o palco principal

Todo organizador de evento de lutas casadas recebe a mesma mensagem dezenas de vezes: “Só preciso de uma oportunidade”. Fepa Lopes, presidente do BJJ Stars, tem uma resposta pronta para ela, e contou qual é em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica.
“A minha resposta é a mesma. O BJJ Stars não dá oportunidade. Quem cria a oportunidade são vocês, atletas. Nós damos o reconhecimento”, disse.
Fepa organiza lutas desde 2002, quando criou o Desafio Black Belt, e diz que aprendeu a não apostar em promessa. “Eu não posso chegar hoje, fazendo isso há 25 anos da minha vida, e falar: ‘Não, eu vou dar uma oportunidade para o cara porque ele é bom lá na academia, ele escova os caras, mas ele nunca lutou’”, afirmou.
O rei da academia e o palco único
O exemplo mais extremo que ele cita é o de um atleta sem histórico de competição que pediu para enfrentar Bruno Malfacine, dez vezes campeão mundial, com o argumento de que era do mesmo peso e vencia todo mundo no treino.
O problema, segundo Fepa, vai além do currículo. Em um campeonato comum, há várias áreas de luta ao mesmo tempo e o público se divide. Em um evento de lutas casadas, o ginásio inteiro olha para um tatame só, e antes disso ainda há coletiva de imprensa e toda a semana de promoção. “Tem gente que sente”, contou. “Tem cara que fala: ‘Cara, travei’. E cara experiente.”
Por isso ele evita arriscar. “Não dá para ficar dando oportunidade, porque senão no final do dia quem vai chorar na cama sou eu”, disse.
Título primeiro, mas não só título
O critério número um de Fepa continua sendo o resultado. “Primeiro o cara tem que ser o bambambã, o campeão”, afirmou. A partir daí entram outros dois filtros.
O primeiro é o estilo de luta. “Tem aquele cara que é campeão, mas ele joga com a regra embaixo do braço. Esse cara não tem o perfil de evento”, disse. O raciocínio é o do público que pagou ingresso e sai irritado quando a luta termina decidida por uma vantagem.
O segundo é quanto o atleta ajuda a encher o ginásio e a vender a transmissão. É o mesmo cálculo de um patrocinador. “A marca vai te patrocinar porque você é um cara bonito? Não. Ela vai te patrocinar porque, além de você ser um bom atleta, aí vem o diferencial de você conseguir vender o produto dela no final do dia”, explicou.
A chave que a velha guarda precisa virar
Fepa se inclui entre os que demoraram a acompanhar as redes sociais, mas diz que não existe mais volta. Ele contou ter visto um veterano dos primeiros eventos reclamar de quem dá importância a publicação em rede social. Para o dirigente, a conta não fecha. “Não tem como ele chegar e falar: ‘Eu quero premiação em dinheiro’, se ele tem uma postura do Jiu-Jitsu de quando dava medalha. Essa chave precisa ser virada”, afirmou.
O caso Piter Frank
O melhor exemplo de quem entendeu a lógica, na avaliação de Fepa, é Piter Frank. Antes de enfrentar Caio Almeida, ele criou uma história em torno da luta, com vídeos indo de skate para o treino e ligações para o adversário. Caio entrou na brincadeira. “Ficou um negócio muito legal, sem desrespeito”, disse o presidente do BJJ Stars.
Piter venceu, pegou o microfone e desafiou Celso Vinícius, e a luta seguinte saiu dali. “Esse cara entendeu totalmente o jogo”, afirmou Fepa. Mesmo quando perdeu, lembra ele, Piter levou o prêmio de luta da noite e voltou a ser chamado.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Fepa Lopes está no canal da VF Comunica no YouTube.
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