Seif Houmine explica gesto no Mundial e mira o Crown
Bicampeão mundial aos 38 anos, o pesadíssimo fala sobre Erich Munis, provocação nas redes sociais e reconhecimento em entrevista à VF Comunica

Bicampeão mundial aos 38 anos, Seif-Eddine Houmine chega ao The Crown, em 8 de novembro, na Pirâmide de Long Beach, na Califórnia, como o atual campeão europeu, pan-americano e mundial dos pesadíssimos. Em entrevista à VF Comunica, ele explicou por que deixou a faixa no tatame do Mundial, falou de Erich Munis, tricampeão do evento, e contou como enxerga o espaço que a imprensa e as redes sociais dão aos atletas.
Nascido no Marrocos e radicado na França, Seif fez em 2026 a melhor temporada da carreira. Subiu ao pódio nos quatro Grand Slams da IBJJF e conquistou o segundo título mundial, dois anos depois do primeiro. No Crown, torneio só para convidados, vai disputar com outros sete pesadíssimos o cinturão da categoria e o prêmio de 20 mil dólares ao campeão.
A faixa deixada no tatame do Mundial
Depois de vencer o Mundial deste ano, Seif tirou a faixa e a deixou no tatame. O gesto foi a forma que ele encontrou de se despedir da disputa do Mundial da IBJJF.
“Deixar a faixa no tatame do Mundial foi uma forma natural e definitiva de fechar o ciclo no circuito tradicional do Mundial. Dei tudo de mim, cheguei aonde sonhei chegar e senti que era o momento ideal para encerrar esse capítulo específico da minha carreira internacional, com orgulho e serenidade.”
O adeus ao Mundial não significou o fim das competições. O convite para o Crown chegou e Seif aceitou, com um objetivo claro na cabeça.
Erich Munis, o homem a ser batido
No caminho até o título está Erich Munis, campeão das três edições do Crown nos pesadíssimos e um dos maiores nomes da categoria. Seif reconhece o tamanho do adversário, mas deixa claro que não viajou para Long Beach para fazer figuração.
“O Erich é um atleta incrível, e o currículo dele fala por si. Vencer o Crown três vezes seguidas mostra uma consistência impressionante no mais alto nível do nosso esporte. É preciso respeitar o que ele construiu e o quanto ele tem sido dominante.”
“Ao mesmo tempo, não aceitei esse convite só para participar. Vim aqui para vencer. Minha experiência, somada ao meu jogo físico e às características do meu estilo, monta um quebra-cabeça completamente diferente para qualquer um no tatame. Quando você compete na elite há tanto tempo quanto eu, aprende a neutralizar os pontos fortes do adversário e a aproveitar pequenas brechas. Vai ser um desafio incrível, e foi exatamente por isso que eu quis esse teste final.”
O olhar sobre Thierry Felipe
Seif também comentou a fase de Thierry Felipe, um dos nomes da nova geração que chega ao Crown depois de vencer adversários de peso nos últimos meses. Para o francês, a juventude é uma arma no formato do evento, mas a experiência pesa nos momentos decisivos.
“O Thierry Felipe é um atleta impressionante, e a ascensão dele é merecida. Ele leva para o tatame muita energia, agressividade e um ritmo alto, o que permitiu que vencesse nomes muito grandes nos últimos meses.”
“Numa competição como o Crown, em que cada luta é uma final, ele é sem dúvida uma ameaça séria para qualquer um. Juventude e coragem são armas poderosas nesse tipo de formato. Dito isso, contra veteranos experientes, saber administrar os momentos decisivos, o ritmo da luta e a pressão tática faz toda a diferença. Vai ser empolgante ver como o estilo dele se encaixa contra a maturidade e o jogo físico dos competidores mais experientes da categoria.”
Reconhecimento longe dos holofotes
Mesmo com três dos maiores títulos da temporada, Seif diz que nunca correu atrás da atenção da imprensa. Ele vê com naturalidade o espaço que a nova geração ocupa e afirma que a motivação dele está em outro lugar.
“Para ser sincero, não corro atrás de holofote nem de reconhecimento da imprensa. A nova geração é fantástica, traz um ar novo e um ritmo incrível, então é completamente normal que as câmeras se voltem para eles. Da minha parte, minha motivação nunca foi ditada por curtidas ou por matérias, e sim pelo amor por essa arte marcial, pela vontade de superar meus próprios limites e pelo respeito ao que eu faço. Aos 38 anos, provar que ainda consigo competir e vencer no mais alto nível é a minha maior satisfação. O trabalho feito no tatame fala por si, e é só isso que importa para mim.”
Provocação, redes sociais e personalidade
Num Jiu-Jitsu profissional cada vez mais movido por provocações e presença nas redes, o pesadíssimo construiu a carreira pelo caminho dos resultados. Ele admite que, em alguns momentos, isso pode ter custado atenção, mas diz que não se arrepende.
“Para ser sincero, o cenário do nosso esporte mudou muito. Hoje, as redes sociais e as provocações têm um papel enorme na promoção dos eventos, e é verdade que isso permite que alguns atletas conquistem rapidamente a atenção da comunidade e da imprensa.”
“Mas eu sempre escolhi outro caminho, o do trabalho duro, do respeito e dos resultados no tatame. Para mim, o verdadeiro Jiu-Jitsu se mede pela eficiência, pela disciplina e pelos títulos que você conquista, e não por declarações barulhentas.”
“Se já me senti deixado de lado? Talvez um pouco, no sentido de que os holofotes costumam se voltar mais rápido para quem faz barulho. Mas não tenho nenhum arrependimento. Minha personalidade é reflexo dos meus valores, e o reconhecimento que conquistei entre outros lutadores, professores e os verdadeiros fãs foi construído sobre uma base sólida. No fim, o falatório passa, mas os títulos e o legado ficam.”
O The Crown acontece no dia 8 de novembro, na Pirâmide de Long Beach. E você, acha que a experiência de Seif é suficiente para tirar o título de Erich Munis?
A cobertura do The Crown na VF Comunica é um oferecimento Kingz.







