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terça-feira, 20 de outubro de 2026 20 out 2026
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Cortes, foto sem crédito e inteligência artificial: o que mudou na imprensa de luta, por Marcelo Alonso

Fotógrafo e ex-editor da Tatame, que largou a biologia para cobrir Jiu-Jitsu nos anos 1990, compara à VF Comunica a era das revistas com a dos canais sem rosto

Vitor Freitas e Marcelo Alonso lado a lado, em entrevista por vídeo
Marcelo Alonso (à direita) em entrevista a Vitor Freitas. Imagem: VF Comunica
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Marcelo Alonso era biólogo, analisava produtos de farmácia em um laboratório do Rio de Janeiro e fotografava campeonatos de Jiu-Jitsu nos fins de semana. Em 1993, uma revista de artes marciais pediu a ele fotos e um texto sobre a luta entre Renzo Gracie e Wallid Ismail. Três meses depois, Royce Gracie venceu o primeiro UFC, a procura por conteúdo de Jiu-Jitsu explodiu e ele trocou de profissão. “Eu descobri minha verdadeira paixão e vocação, que é o jornalismo”, contou a Vitor Freitas, na VF Comunica.

Mais de três décadas depois, o fotógrafo, ex-editor da Tatame e hoje à frente do PVT, compara o ofício que aprendeu com o que se pratica agora. A conversa abriu com uma frase de Vitor Freitas que serve de moldura para o resto: “Não existe um esporte grande sem história documentada”.

O pai, a faculdade e o estúdio

A mudança de carreira teve uma condição. O pai, que tinha pagado a faculdade de biologia, apoiou a decisão e avisou que a de jornalismo seria por conta do filho. “Só te peço uma coisa: você vai abandonar a profissão, vai fazer jornalismo, só que agora tu vai pagar”, lembrou Alonso. Ele pagou, com permuta de anúncios na revista.

Em seguida alugou um apartamento em Copacabana e montou um estúdio só para fotografar lutadores, algo que não existia. A aposta partia de uma leitura do mercado. “Eu percebi que nós éramos os melhores naquilo e o mundo queria aquilo. Então eu falei: cara, eu vou ser uma agência de luta”, disse.

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“Os cortes são capas de revista”

Alonso não demoniza a internet. Para ele, a lógica de hoje é a mesma de quando passava o mês pensando na capa. “A mola mestra do jornalismo é o furo, é a boa manchete”, afirmou. “Os cortes nada mais são do que capas de revista, que diariamente surgem no seu YouTube.”

A diferença está em quem escolhe a chamada. “O cara tem a obrigação, sim, de escolher uma boa manchete e, obviamente, ter bom senso”, disse. Ele calcula que a grande maioria dos canais de luta faz um trabalho sério e reserva a crítica para os que publicam trechos sem contexto e sem assinatura.

Vitor Freitas concordou e apontou o critério que usa para separar uns dos outros: o rosto. Ele responde pela VF Comunica, Alonso responde pelo PVT, e quem publica sem se identificar não responde por nada. “Todo mundo precisa ser responsabilizado pelo que fala”, afirmou.

Crédito de foto: do processo ao “está na internet”

O segundo tema é o que mais afeta um fotógrafo. Na era das revistas, publicar uma imagem sem autorização ou sem crédito custava caro. “Era processo, e era rápido”, lembrou Alonso, que viu a própria redação pagar por um erro desse tipo.

Hoje ele pede pouco. Quando encontra uma foto sua publicada sem identificação, manda uma mensagem pedindo apenas a marcação do perfil. Nem sempre funciona. Alonso contou que deu um furo em entrevista com um lutador do UFC e, pouco depois, viu a informação em outro canal sem nenhuma menção à origem. Escreveu ao responsável. “Dói você dar o crédito? Custa nada”, argumentou. Ouviu de volta que o conteúdo estava na internet.

A foto que a IA mudou

O problema mais novo é a inteligência artificial. Alonso mostrou durante a entrevista uma versão de uma foto clássica dele, da equipe BTT, “atualizada” por um programa que trocou o rosto de lutadores. “Uma foto clássica minha que a IA descaracterizou, virou outra imagem. Não é mais minha, não é mais do fotógrafo”, disse.

Ele faz questão de não culpar quem publicou e diz enxergar mais benefícios do que riscos na tecnologia. O alerta é sobre o que se perde quando um registro histórico passa a circular alterado.

Rivais que se puxavam

Alonso fechou o assunto com uma lembrança da concorrência nos anos 1990. A Tatame e a revista rival disputavam capa, equipamento e fotógrafo, e ele diz que foi essa disputa que elevou o nível das duas. “Era um puxando o outro”, resumiu. Quando encontra o antigo concorrente, o cumprimento é um abraço.

Vídeo completo no YouTube

A entrevista completa com Marcelo Alonso está no canal da VF Comunica no YouTube.

Você confere a origem de um corte antes de compartilhar? Deixe sua opinião nos comentários.

Vitor Freitas
Escrito por Vitor Freitas

Vitor Freitas é jornalista e cobre o Jiu-Jitsu há mais de 15 anos, com entrevistas, reportagens e presença nos principais eventos do Jiu-Jitsu ao redor do mundo. Em 2022, criou a VF Comunica.

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