De funcionários a donos: como Rodrigo e Michele Freitas compraram a academia em que trabalhavam
Casal brasileiro assumiu a escola em 2013, com cerca de 150 alunos, e hoje tem mais de 500 na Califórnia. Michele conta à VF Comunica o mês em que chorou todos os dias

A Inspirit Academy, em Redondo Beach, na Califórnia, tem hoje mais de 500 alunos e uma sede em que os donos investiram meio milhão de dólares. Em 1º de maio de 2013, quando Rodrigo e Michele Freitas assumiram o negócio, eram cerca de 150 alunos, as economias do casal aplicadas na entrada e nenhuma experiência em administrar empresa. Michele contou a história em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica.
O professor que cuidava como dono
Antes de ser proprietário, Rodrigo era o professor principal da academia de um amigo. Segundo Michele, ele nunca se comportou como funcionário. “Ele assumiu a academia como se ele fosse o dono”, disse. Quando Vitor Freitas resumiu que ele era empregado, mas cuidava como dono, ela completou: “E ganhava como empregado”.
O exemplo que ela dá é o dos fins de semana. Rodrigo saía para distribuir panfletos da escola, e ela, que na época ainda morava no Brasil e estava de férias nos Estados Unidos, foi junto. “Eu podia simplesmente falar: ‘Ah, não, vamos para a praia, não é nosso, deixa o dono se virar’”, lembrou.
Michele também quis construir o nome do marido como competidor. Reparou que os outros atletas tinham marca própria e desenhou um logotipo, que um aluno ajudou a levar para a gráfica. “Eu falei: ‘Cara, eu preciso de um logo’. Eu desenhei, era mal mesmo”, contou. A marca foi parar nos kimonos e nas camisetas.
“Era pegar ou largar”
A virada veio quando o dono decidiu vender e ofereceu a academia a Rodrigo. Para Michele, a proposta ia contra tudo o que ela tinha planejado. “Eu sempre cresci falando que eu nunca ia ser dona. Eu queria ser empregada”, disse. Só que recusar significava deixar o marido sem trabalho. “Era pegar ou largar.”
O casal usou as economias para dar a entrada. O antigo proprietário, segundo ela, fez um preço que reconhecia o que Rodrigo tinha feito pela escola sem pedir nada em troca. Os três continuam amigos.
Um mês chorando todos os dias
O primeiro mês foi o pior. As contas da academia, a começar pelo aluguel, passaram a ser deles desde o primeiro dia, e Michele ainda não sabia se a receita daria conta. “Eu chorava todo dia, durante um mês inteiro”, contou.
Rodrigo reagia de outro jeito. Ela descreve o marido como alguém que procura vaga em um estacionamento com a certeza de que vai encontrar uma logo na entrada. “Ele ia me relembrando que tudo ia dar certo. E ele estava certo, tudo deu certo”, disse.
Nenhum dos dois tinha formação em negócios. Ela é enfermeira, ele é professor de Jiu-Jitsu. Aprenderam fazendo, e Michele diz que conhece todas as funções da empresa porque passou por todas, a começar pela recepção.
O segundo salto
Anos depois, com 300 alunos em um espaço pequeno, o casal chegou a outra encruzilhada. “Ou a gente dava um pulo muito grande, ou a gente ia regredir”, afirmou. Eles escolheram mudar para uma sede maior. “Foi assustador no começo, porque tudo dobra, triplica às vezes.”
Michele atribui o resultado a um hábito que vem do tempo em que Rodrigo era funcionário: fazer mais do que foi pedido. “O diferencial é você fazer e fazer bem feito. Você está sempre dando um pouco a mais do que é pedido”, disse.
Na mesma entrevista, ela apontou os dois mitos de quem sonha em viver de Jiu-Jitsu nos Estados Unidos.
Vídeo completo no YouTube
A entrevista completa com Michele Freitas está no canal da VF Comunica no YouTube.
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