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sábado, 17 de outubro de 2026 17 out 2026
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De funcionários a donos: como Rodrigo e Michele Freitas compraram a academia em que trabalhavam

Casal brasileiro assumiu a escola em 2013, com cerca de 150 alunos, e hoje tem mais de 500 na Califórnia. Michele conta à VF Comunica o mês em que chorou todos os dias

Michele Freitas sentada em uma poltrona durante entrevista na Inspirit Academy
Michele Freitas na Inspirit Academy, na Califórnia. Imagem: VF Comunica
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A Inspirit Academy, em Redondo Beach, na Califórnia, tem hoje mais de 500 alunos e uma sede em que os donos investiram meio milhão de dólares. Em 1º de maio de 2013, quando Rodrigo e Michele Freitas assumiram o negócio, eram cerca de 150 alunos, as economias do casal aplicadas na entrada e nenhuma experiência em administrar empresa. Michele contou a história em entrevista a Vitor Freitas, na VF Comunica.

O professor que cuidava como dono

Antes de ser proprietário, Rodrigo era o professor principal da academia de um amigo. Segundo Michele, ele nunca se comportou como funcionário. “Ele assumiu a academia como se ele fosse o dono”, disse. Quando Vitor Freitas resumiu que ele era empregado, mas cuidava como dono, ela completou: “E ganhava como empregado”.

O exemplo que ela dá é o dos fins de semana. Rodrigo saía para distribuir panfletos da escola, e ela, que na época ainda morava no Brasil e estava de férias nos Estados Unidos, foi junto. “Eu podia simplesmente falar: ‘Ah, não, vamos para a praia, não é nosso, deixa o dono se virar’”, lembrou.

Michele também quis construir o nome do marido como competidor. Reparou que os outros atletas tinham marca própria e desenhou um logotipo, que um aluno ajudou a levar para a gráfica. “Eu falei: ‘Cara, eu preciso de um logo’. Eu desenhei, era mal mesmo”, contou. A marca foi parar nos kimonos e nas camisetas.

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“Era pegar ou largar”

A virada veio quando o dono decidiu vender e ofereceu a academia a Rodrigo. Para Michele, a proposta ia contra tudo o que ela tinha planejado. “Eu sempre cresci falando que eu nunca ia ser dona. Eu queria ser empregada”, disse. Só que recusar significava deixar o marido sem trabalho. “Era pegar ou largar.”

O casal usou as economias para dar a entrada. O antigo proprietário, segundo ela, fez um preço que reconhecia o que Rodrigo tinha feito pela escola sem pedir nada em troca. Os três continuam amigos.

Um mês chorando todos os dias

O primeiro mês foi o pior. As contas da academia, a começar pelo aluguel, passaram a ser deles desde o primeiro dia, e Michele ainda não sabia se a receita daria conta. “Eu chorava todo dia, durante um mês inteiro”, contou.

Rodrigo reagia de outro jeito. Ela descreve o marido como alguém que procura vaga em um estacionamento com a certeza de que vai encontrar uma logo na entrada. “Ele ia me relembrando que tudo ia dar certo. E ele estava certo, tudo deu certo”, disse.

Nenhum dos dois tinha formação em negócios. Ela é enfermeira, ele é professor de Jiu-Jitsu. Aprenderam fazendo, e Michele diz que conhece todas as funções da empresa porque passou por todas, a começar pela recepção.

O segundo salto

Anos depois, com 300 alunos em um espaço pequeno, o casal chegou a outra encruzilhada. “Ou a gente dava um pulo muito grande, ou a gente ia regredir”, afirmou. Eles escolheram mudar para uma sede maior. “Foi assustador no começo, porque tudo dobra, triplica às vezes.”

Michele atribui o resultado a um hábito que vem do tempo em que Rodrigo era funcionário: fazer mais do que foi pedido. “O diferencial é você fazer e fazer bem feito. Você está sempre dando um pouco a mais do que é pedido”, disse.

Na mesma entrevista, ela apontou os dois mitos de quem sonha em viver de Jiu-Jitsu nos Estados Unidos.

Vídeo completo no YouTube

A entrevista completa com Michele Freitas está no canal da VF Comunica no YouTube.

Você compraria a academia em que trabalha? Deixe sua opinião nos comentários.

Murilo Vendramini Lazarini
Escrito por Murilo Vendramini Lazarini

Murilo Vendramini Lazarini é repórter da VF Comunica, criador de conteúdo e faixa-azul de Jiu-Jitsu, unindo sua paixão pelo esporte ao trabalho com comunicação e produção de conteúdo sobre a modalidade. Além das coberturas e entrevistas pela VF Comunica, produz conteúdo sobre o esporte, levando informação, histórias e a vivência do tatame para as redes sociais.

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