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Vitor Shaolin e o Jiu-Jitsu profissional: “A gente tirava dinheiro do próprio bolso”

Elevado ao status de lenda do esporte, Vitor Shaolin fala sobre seu auge no Jiu-Jitsu, mudança para o MMA e profissionalização do esporte

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Figura consolidada como ídolo do Jiu-Jitsu, Vitor Shaolin participa de entrevista exclusiva no Off The Mats.

Fiel ao seu propósito de lançar luz sobre a carreira de personalidades que pavimentaram o esporte, está no ar o terceiro episódio do Off The Mats e o convidado é Vitor Shaolin. Ídolo do Jiu-Jitsu, árbitro e professor, tricampeão mundial na faixa-preta nos primórdios do Mundial da IBJJF, tendo o Rio de Janeiro como berço do esporte, Shaolin fez parte do time de ouro da Nova União entre a década de 90 e início dos anos 2000. Sob as orientações de Dedé Pederneiras no ‘sobrado’ do Flamengo, Shaolin fazia parte do temido time de atletas sempre presentes nos lugares mais altos do pódio, acompanhado de lutadores como Robson Moura, Leonardo Santos, Renato ‘Charuto’ e João Roque. Dedicado aos treinos e com fome de tatame, Vitor Shaolin foi graduado à faixa-preta com 17 anos de idade, um acontecimento singular, ainda que mais recorrente naquela época, que ele relembrou na entrevista.

“Foi aquela emoção, porque realmente eu não via isso acontecendo. Naquela época, a gente não corria muito atrás de faixa, não era uma coisa importante, o importante era estar treinando bem na academia, era conseguir aplicar nos campeonatos o que era feito nos treinos. (…) É nessa idade que muitos ainda estão começando no Jiu-Jitsu e você já está lá, já chegou na faixa-preta e de repente tudo começa a fazer sentido. foi legal ter conquistado a faixa cedo, porque eu ainda era jovem, eu estava muito faminto com relação a tudo.”, recorda.

No auge como competidor de Jiu-Jitsu, Vitor Shaolin conseguiu patrocínios importantes

É comum que hoje em dia o tema da profissionalização do esporte seja continuamente debatido, já que existe um entendimento coletivo de que o atleta de Jiu-Jitsu precisa ser valorizado para além do reconhecimento por títulos e medalhas. Dentro desse assunto, Vitor Shaolin comentou sobre um fato interessante, possivelmente desconhecido por muitos da nova geração: Shaolin, entre outros atletas da época, foi patrocinado pelo time de futebol carioca Vasco da Gama e pela Prefeitura do Rio. Ainda que a mentalidade fosse diferente, de acordo com Shaolin esse tipo de apoio proporcionou maior comprometimento por parte dos atletas.

“Sair desse lugar de não ter nada e começar a ganhar um dinheiro para poder competir, poder fazer algumas viagens com tudo pago pelo Vasco, pela Prefeitura. Foi uma época muito legal. (…) A  gente tirava dinheiro do próprio bolso. Quando eu fui para o Pan, arrumei um patrocínio que me apoiou algumas vezes, que me ajudou a viajar, mas quando começaram os patrocínios do Vasco e da Prefeitura, a gente já tinha uma certa estrutura para poder viajar. Então, foi uma época boa, que a gente não precisava se preocupar com grana. A gente realmente pensava só em treinar. Treinar e lutar.”, comenta.

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Foi no MMA que Vitor Shaolin precisou dedicar mais tempo de cuidado ao psicológico.

Outro tópico debatido no Off The Mats com Vitor Shaolin foi a parte mental do atleta de alto rendimento. Segundo o faixa-preta, seu psicológico no Jiu-Jitsu era blindado, uma característica que veio da autoconfiança no jogo de kimono. Quando migrou para o MMA, seguindo essa tendência de mudança de modalidade que influenciou boa parte do time de André Pederneiras, Vitor Shaolin sentiu de fato o desconforto da pressão. 

“No Jiu-Jitsu, eu não vou negar, graças a Deus, quando eu de fato aprendi como lutar, ficou legal, ficou bem interessante. Mas no Vale Tudo, definitivamente, eu senti que em algum momento, depois da minha derrota, eu vim de dez vitórias, quando eu tive minha primeira derrota, eu vi que tinha algo acontecendo, que eu tinha que mudar, que eu precisava abordar certas coisas de um jeito diferente. (…) Foi nessa época que eu comecei a ler mais livros, conversar, identificar onde eu estava errando para poder melhorar a minha performance e continuar lutando.”, afirma, mostrando que, mesmo com vasta experiência em competição, cuidar da mente é tão importante quanto treinar o corpo.

Assista a entrevista completa com Vitor Shaolin na série Off The Mats, no canal VF Comunica, no You Tube!

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Escrito por Emmanuela Oliveira

Emmanuela Oliveira é faixa-marrom de Jiu-Jitsu e formada em Comunicação Social. Dentro do tatame, aprendeu que é possível conjugar Jiu-Jitsu, escrita e o gosto pelas artes visuais em um só pacote.

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